Em Notìcias- Embrapa de 17/04/2019, Jorge Duarte, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas – SIRE, comentando o artigo de José Garcia Gasques, coordenador geral de Avaliação de Políticas e Informação, da Secretaria de Política Agrícola (SPA), faz interessante abordagem a respeito do chamado conhecimento “não cristalizado”, aquele referente “ao que está entre as orelhas”.
Ainda nesse sentido, o Dr. Eliseu Alves, um dos fundadores e ex-presidente da Embrapa, economista com PhD em Economia Rural, explica que tratores, sementes e adubo, por exemplo, o que ele chama de “tecnologia cristalizada” ainda são simbólicos da evolução da agricultura, “mas, na verdade, nossa evolução está na inteligência para lidar com os diferentes fatores de produção”. Ele lembra que a agricultura brasileira não deu um salto com a chegada de equipamentos do exterior, mas sim com a capacitação de nossos profissionais. “Eles desenvolveram sistemas de gestão e produção, adaptaram, criaram novos insumos e fizeram a informação chegar ao campo”.
Trocando em miúdos – toda a parafernália tecnológica dá menos resultado que o efeito do profissional bem treinado e com bons conhecimentos do processo produtivo! Máquinas sofisticadas e modernos insumos tem seus benefícios na produção, mas os impactos não se comparam à gestão de quem com o conhecimento é capaz de juntar, somar e integrar os fatores de produção com a devida sabedoria. É o que está entre as orelhas do gestor é que faz as coisas acontecerem!
Será que na silvicultura, as coisas são diferentes? Será que só com máquinas sofisticadas, insumos de primeira linha, o melhor clone e todas as regras de certificações atendidas consegue-se florestas de boa produtividade? Admitindo-se que não haja razão tão determinante para que agricultura e silvicultura sejam diferentes, em ambos os casos, o que faz a diferença é simplesmente, a presença e o conhecimento do profissional bem preparado!
Com toda admiração e respeito, fiquemos com os sábios ensinamentos do Dr. Eliseu Alves – gente treinada e capacitada pode-se transformar em ganhos de produtividade!
É a cadeia de colaboradores treinada e bem preparada que vai fazer as sofisticadas máquinas funcionarem e os insumos darem os resultados esperados. E, especialmente, nesses momentos em que a falta de mão-de-obra já está sendo reconhecida como um entrave em muitas regiões ao pleno desenvolvimento dos programas florestais, esse cuidado há de ser redobrado.
Preparar e treinar gente vai ser uma permanente necessidade para se alcançar boa produtividade das florestas e será imprescindível para avançarmos em inevitáveis processos de mecanização e no mundo digital, sem antes nos determos, cuidadosamente, no preparo e capacitação de nossos colaboradores.
Que esse desafio, bem afeito às instituições de ensino e pesquisa, também se estenda à iniciativa privada, e não fuja do foco dos que trabalham para melhorias de nossa silvicultura.
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br