A terceirização sempre se constituiu em importante alternativa para execução operacional das diferentes etapas do processo produtivo da silvicultura brasileira. E sua participação pode variar nas empresas e regiões, a depender da concentração das atividades, da disponibilidade de mão-de-obra e da demanda de serviços, dentre outros fatores. Da produção de mudas à madeira posta nas indústrias, passando por serviços técnicos especializados e de apoio, em quase todos os espaços da cadeia produtiva há terceiros. Há até grandes empreendimentos para produção de madeira, em que até a gestão dos recursos dos investidores é feita por terceiros. No entanto, a predominância da terceirização se dá nos serviços operacionais de plantio e manutenção das florestas.
A terceirização tem se mostrado de grande importância na consolidação da silvicultura nas várias regiões em que são implantados os empreendimentos florestais, que, normalmente, dão origem às grandes indústrias. São com os terceiros da silvicultura que as regiões são desbravadas, as infraestruturas são criadas e se formam os núcleos habitacionais, que se transformam em pequenas cidades e que posteriormente vão fornecer mão–de-obra a diferentes indústrias. E muitas vezes, tudo nasce e cresce com os terceiros que chegaram para plantar e formar florestas.
No entanto, apesar de sua relevância no desenvolvimento social e econômico de muitas regiões, a terceirização ainda é um processo em formação e sujeita às inúmeras adversidades. Nem sempre tem a devida valorização nas organizações a que serve, e muitas vezes é afrontada e desrespeitada em sua autoridade e decisões operacionais do dia-a-dia. E, ainda, é desprovida de qualquer representação institucional. Para muitos, essas características são as principais limitações à plena evolução profissional e tecnológica da terceirização.
Nesses anos, em que a silvicultura está formando expressivo patrimônio florestal para dar sustentação à maior produção de celulose de fibra curta do mundo, há de se destacar a importância estratégica da terceirização e a necessidade de se minimizar suas indefinições e dúvidas. É imprescindível que se cuide e se valorize sua evolução profissional e tecnológica!
Embora, ainda existam empresas desprovidas de preocupações técnicas e estrutura organizacional, já se encontram empresas terceirizadas com alto nível profissional e com capacidade para colaborar, efetivamente, na formação de florestas produtivas.
Mas a profissionalização do terceiro só se tornará de grande proveito às contratantes, na medida em que seja respeitada e reconhecida em suas ações, programações e decisões. Há quem diga que a evolução da profissionalização dos terceiros só nasce e se fortalece quando a relação entre as partes se torna colaborativa e se transforma numa parceria, de fato.
É bastante animador a certeza de que há situações em que prevalece a boa relação entre terceiros e contratantes com excelentes resultados no campo. São relações de ganha-ganha, em que todos ganham, mas acima de tudo, ganha muito a qualidade dos serviços e a produtividade das florestas!
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br