AS FLORESTAS PLANTADAS E OS PARADOXOS DO MERCADO DE CARBONO

A silvicultura brasileira de tempos em tempos se depara com novidades surpreendentes! Desde espécies milagrosas que vão te enriquecer lá na frente, até uso de tecnologias que reduzem custos e aumentam a produtividade num toque de mágica! Enfim, milagres e milagreiros brotam a todo instante. E com o crescimento da atividade e com mais interessados, parece que o campo continua fértil para aventuras e desventuras. Daí, a necessidade de se atentar a dados técnicos e científicos diante de novidades, antes de se dar os devidos créditos às mais variadas informações.

A moda, nos dias atuais, está em cima dos créditos de carbono e os diferentes desdobramentos e oportunidades que se abrem à nossa frente! Fala-se em milhões de hectares a serem plantados em áreas degradadas e bilhões de dólares de investidores globais à procura de bons investimentos. São atrativos mais do que suficientes para aguçar provocações.

Plantar para captar carbono parece ter se constituído em importante alternativa para mitigar as mudanças climáticas tão propaladas! E se a moda pegar, então teremos enormes oportunidades para serem exploradas.

Esse contexto, no entanto, nos leva a algumas reflexões!
1- Um assunto de tamanha e estratégica importância não mereceria uma Política Pública de Estado de fácil entendimento, com regras e diretrizes para orientação dos interessados?

2- A qual instituição caberia a responsabilidade pelas informações, orientações e monitoramento dos empreendimentos e controle do mercado de carbono?

3- Se o objetivo é captar cada vez mais carbono, que diferença faz o uso de espécie nativa ou exótica na formação de florestas para tal fim? Por acaso, o carbono captado por espécies nativas é diferente do carbono captado por espécies exóticas? E quando se compara a quantidade? Uma cresce 10 a outra cresce 40 metros cúbicos/ha/ano! Há lógica nessa distinção? Será que o paciente que precisa de socorro, pode-se dar ao luxo de escolher o socorrista?

4- Será que projetos envolvendo plantios de espécies exóticas com manejo de ciclo longo e espécies nativas integrando e enriquecendo APPs e Reserva Legal não poderiam atender plenamente aos quesitos para se habilitar a créditos de carbono?

A nossa torcida é para que formar florestas e recuperar áreas degradas para captação de carbono seja, de fato, uma nova alavancagem para crescimento de nossa silvicultura. Mas que gere benefícios a toda sociedade e que não seja um simples modismo com risco de deixar sequelas indesejáveis à silvicultura brasileira, a médio e longo prazo!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Esta entrada foi publicada em Uncategorized e marcada com a tag , , , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.