21 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DAS FLORESTAS | 22 DE MARÇO – DIA MUNDIAL DA ÁGUA
Nessas datas celebradas pela ONU, a Comunidade de Silvicultura sente- se honrada em apresentar a publicação do Dr. Walter de Paula Lima, docente aposentado da ESALQ-USP, que dedicou sua vida profissional ao ensino, pesquisas e estudos das florestas e suas relações com a água. Com livros e publicações científicas tem dado enorme contribuição ao enriquecimento ambiental e social do setor florestal. Seus ensinamentos conduzem os procedimentos operacionais na direção da sustentabilidade, criando e qualificando a silvicultura brasileira à captação e créditos de carbono.
Leitura imperdível com sugestões para o dia-a-dia de profissionais e interessados no desenvolvimento da silvicultura brasileira!
Conservação da água: a qualificação da silvicultura brasileira para a obtenção de créditos de carbono
A silvicultura brasileira, baseada principalmente nos plantios de eucalipto e pinus para produção de madeira, cresceu de forma significativa nos últimos 50 anos. As áreas plantadas já se aproximam de 10 milhões de há, e há indicações de que essas áreas continuarão a crescer por bom tempo!
Há de se reconhecer os avanços das técnicas silviculturais, com o apoio de universidades, instituições de pesquisas e, acima de tudo, das próprias empresas interessadas com suas equipes de profissionais especializados e muita pesquisa e experimentação. Foi esse embasamento que permitiu o salto extraordinário da produtividade, que resultou nesse rico patrimônio industrial. Diante de tamanha responsabilidade econômica, social e ambiental, o desafio permanente é, sem dúvida, o de dar sustentabilidade a essa riqueza. E os desafios surgem e exigem providências inadiáveis, sob pena de prejudicar os objetivos essenciais das plantações florestais.
Por exemplo, o avanço das áreas de plantio para diversas regiões com características edafoclimáticas distintas já vem dando sinais para preocupações. A queda na produtividade sentida na grande maioria das áreas plantadas, aparentemente, já se colocou na relação de prioridades a serem enfrentadas pela pesquisa.
A preocupação com adversidades ambientais que levam à queda na produtividade pode evidenciar a necessidade de redobrar os esforços no sentido de dar maior ênfase aos aspectos hidrológicos dessas novas fronteiras. A ocupação de extensas áreas, às vezes com balanço hídrico climático limitante, não pode prescindir desses cuidados ambientais, correndo sério risco de ressuscitar, com mais veemência, os reclamos dos seus efeitos sobre as águas superficiais. Neste sentido, esses aspectos hidrológicos até antecedem as preocupações emergenciais com a produtividade.
Diante desse contexto, é imprescindível rever conceitos arraigados no dia-a-dia operacional do silvicultor, que envolvem o mapeamento das áreas de maior sensibilidade ambiental nos novos plantios. Há de se rever e aplicar, cuidadosamente, os princípios hidrológicos de manejo florestal, tendo a microbacia hidrográfica como base de planejamento do manejo. Isso envolve, pelo menos, a proteção das cabeceiras de drenagem, a preservação e/ou restauração das matas ciliares, a identificação dos aspectos dinâmicos das áreas ripárias, a alocação adequada e integrada das áreas de Reserva legal e APPs, o desenho hidrológico das estradas e vias de acesso, assim como a adoção de sistemas operacionais de plantio que protejam o solo, dentre outros aspectos. Atentar para essas variáveis não vai resultar em perdas de áreas para plantios, mas vai, com certeza, contribuir em muito para a conservação da água. Proteger os recursos hidrológicos é garantir a manutenção da biodiversidade, enriquecer a qualidade dos empregos, manter a vida das comunidades regionais e dar também imprescindível contribuição à produtividade das florestas.
Por fim, esse desenho hidrológico de ocupação dos espaços produtivos da paisagem resulta num desenho de manejo de plantações florestais que integra a preservação de significativa áreas naturais, garantindo a biodiversidade e a conservação da água, sendo por isso merecedor de créditos de carbono.
Dessa forma, estaremos saindo dos discursos e caminhando na direção da sustentabilidade de nossa silvicultura!
Dr.Walter de Paula Lima
Professor aposentado do Depto. de Ciências Florestais da ESAQ-USP – especialista em Manejo de Bacias Hidrográficas
A Comunidade de Silvicultura agradece e cumprimenta nosso amigo e professor por tamanha e eterna contribuição à silvicultura brasileira.
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br