“É quase impossível aceitar que o fomento florestal volte a ser importante à expansão da silvicultura brasileira!”
Foi assim que ilustre professor e importante protagonista do sucesso da silvicultura, se manifestou, quando indagado da necessidade de esforço setorial no sentido de alavancar o fomento florestal!
E fica a indagação – será que é tão difícil mesmo fazer o pequeno e médio produtor se interessar em plantios florestais? E ainda, como chegamos a esse ponto?
Aliás, chegamos e passamos do ponto. Há muitas propriedades deixando as florestas à disposição das formigas ou trocando suas florestas por agricultura. Segundo esses desistentes, cansou-se da canseira do mercado!
E para quem vive no setor não há nenhum segredo – é o vai e vem do preço da madeira, que mata!
Até que nos últimos 5 anos as coisas melhoraram. As desistências, com certeza, são dos que estão aproveitando o último gole, e pulando fora. Juntando tudo isso ficam dúvidas indecifráveis: há gente graúda falando de falta de terras para expansão das indústrias; há um mundo de áreas improdutivas nas vizinhanças de grandes empreendimentos e, paradoxalmente, ter florestas produtivas e bem comercializadas é ótimo negócio!
Na verdade, há empresas que acreditam e transformaram o fomento florestal em estratégia de suprimento e se dizem satisfeitas. São exemplos a serem vistos, repensados e multiplicados. Até, já houve empresa, no passado, que viveu quase que exclusivamente do fomento florestal – o Dr. Rensi, sempre apostou no fio de bigode como garantia para sucesso do fomento florestal. E o curioso também é que, lá atrás, a legislação, através da reposição florestal, obrigava a indústria a plantar para não ficar só na dependência de tantos fornecedores. De repente, sumiram os produtores, os interessados e já se dúvida, até da possibilidade de se fazer fomento!
Enfim, essa situação precisa ser repensada! Não há país com tradição florestal, que não conte com a participação do pequeno e do médio produtor na cadeia de produção de madeira. E não há empreendimento industrial no Brasil, que não tenha uma boa parte de suas áreas vizinhas com possibilidade de se tornarem supridoras de madeira.
Há muitos que apostam que à medida que o fomento se transforme em estratégia de suprimento, com garantia de assistência técnica e de preços compensadores para a madeira, esse contexto muda! E se o Governo se dispuser a ajudar, poderá fazê-lo com linhas de financiamento compatíveis e simplificação dos trâmites legais.
Fortalecer e valorizar o fomento florestal poderá significar uma nova frente para expansão da silvicultura brasileira e com significativos benefícios socioambientais. Isso é dar sustentabilidade à nossa atividade e um grande desafio a ser repensado pelos silvicultores!
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br