O setor florestal precisa se agigantar!

Que em 2024, as prioridades do setor florestal façam parte das políticas públicas estratégicas para o desenvolvimento do país! Há centenas de exemplos expressivos que demonstram a enorme capacidade do setor na geração de empregos e benefícios econômicos e socioambientais nas regiões onde a atividade se desenvolve. Não podemos perder a oportunidade de transformar o Brasil num grande país florestal, a exemplo do que se fez com a agricultura! Esse exemplo precisa ser lembrado e cobrado, permanentemente, de nossos governantes.

Não há nenhuma razão – a não ser vontade política – para não se copiar o exemplo de sucesso de nossa agricultura. As oportunidades, que temos com nossas florestas, estão a nos desafiar e temos competência profissional e tecnologia para darmos conta do recado!

Para reflexão, peguemos a síntese de documento elaborado em novembro/ dezembro de 2018 por um Grupo de Profissionais do setor – Silviculturando-se – e que se pretendia, na ocasião, levar ao conhecimento da Ministra da Agricultura. Tratava do fortalecimento do setor florestal.

Já se passaram 5 anos, com muitas mudanças, muitas novidades e tudo por conta e risco dos interessados. Houve significativo crescimento e que, com certeza, terá continuidade. E o Governo sempre se mantendo à distância!

Vejamos algumas reivindicações sinalizadas em 2018 e os desdobramentos existentes:

1- O Programa de Desenvolvimento de Florestas Plantadas, discutido, elaborado e apresentado no final de 2018 não pode se transformar num documento de leitura. Precisa ser implementado!

Aqui, permanece uma interrogação! Há notícias de ações governamentais nesse sentido? Com certeza, o assunto não foi esquecido. Mas nada aconteceu que chacoalhasse o setor. As grandes encrencas estão sendo resolvidas por conta e risco da competência empresarial – a produtividade continua preocupando, o pequeno e médio produtor está se afastando do setor, a sustentabilidade exige reparos constantes, as espécies nativas continuam uma grande promessa. Surgiu o mercado de carbono, por enquanto, com muita conversa, pouca orientação e cada interessado procurando seu caminho. E para aumentar as dúvidas, as florestas plantadas continuam a representar tremenda indefinição institucional, em nível de Ministérios. É assunto do MMA, através do Serviço Florestal Brasileiro, ou é atribuição do Ministério da Agricultura? Mas, de qualquer maneira, o setor de florestas plantadas continua crescendo. Mas todos reconhecem que um amplo programa de pesquisa para dar sustentabilidade a esse rico patrimônio não pode prescindir de uma efetiva participação governamental. Da mesma forma, há assuntos que, eventualmente possam exigir colaboração e participação de todos. A quem reivindicar a responsabilidade desse chamamento? Quem vai juntar os interessados para tarefas emergenciais e para o bem comum?

2- O Serviço Florestal Brasileiro, agora no Ministério da Agricultura, precisa ser estruturado, fortalecido e com autonomia para ter condições de assumir a gestão plena da produção florestal do Brasil;

Na ocasião, o SFB estava na Agricultura. Agora migrou para o Meio Ambiente e se encontra afogado nas demandas para fazer o manejo das florestas nativas vingar. Um enorme desafio. É o lado do setor florestal que ainda engatinha. E com isso, as florestas plantadas continuam estranhas ao SFB. Ainda bem que o crescimento, até então, não dependeu de ações diretas do Governo. Tem valido a competência e o arrojo empresarial. Tomara que inciativas governamentais não se tornem imprescindíveis à sustentabilidade desse rico patrimônio. Para muitos, é inaceitável que assunto tão importante não tenha o devido reconhecimento institucional na estrutura do Governo. Desde a extinção do IBDF, em 1989, o setor vem se desintegrando, segmentando-se e se fragilizando!

3- Deve – se criar a Comissão Nacional de Políticas Públicas Florestais composta por representantes de todas as cadeias produtivas do setor para sugerir e acompanhar a implementação de políticas públicas que proporcionem viabilidade e sustentação a todas as oportunidades econômicas, sociais e ambientais de nosso rico patrimônio florestal!

Não há nada nesse sentido. Foi criada uma Comissão para discutir a programação de restaurações e créditos de carbono. Trata-se de assunto com forte apelo florestal e deverá ser supervisionado por comissão, que não consta com nenhuma entidade representativa florestal em sua composição. É o exemplo mais flagrante e explícito da fragilidade institucional que acomete o setor florestal!

Das principais reivindicações, lá de 2018, para os dias atuais observaram- se inúmeras mudanças e algumas tendências foi se consolidando. O setor de florestas plantadas continua se distanciando do Meio Ambiente e se ajeitando na Agricultura. Causa espanto a naturalidade como dúvidas persistem e mudanças acontecem, unicamente, em função da vontade e conveniência política.

Nesse quadro de dúvidas, mudanças, oportunidades e prioridades ainda a serem alinhadas, iniciamos 2024! Que encontremos força e disposição para se pensar, falar e fazer acontecer as necessárias medidas que possam agigantar o setor florestal brasileiro, mesmo dividido em seus diferentes e independentes negócios florestais!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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