OS PROFISSIONAIS QUE MUDARAM A SILVICULTURA!

Não há quem negue o extraordinário desenvolvimento técnico na forma de se formar florestas nos últimos 50 anos! Também é inegável que essa evolução tenha sido quase uma imposição das demandas então existentes. No entanto, há de se destacar alguns aspectos de grande relevância que predominavam à época – as empresas com suas diretorias florestais tinham poder de decisão e decidiam, de fato! E a silvicultura agradecia; havia um senso de colaboração entre as empresas e todos participavam sem nenhum sinal de competição. Na ocasião, o “compliance da época” exigia colaboração, com liberdade e sem segredo para o bem de todos. E a silvicultura continuava agradecendo!

Tudo bonito, mas o que valia mesmo eram os brilhantes profissionais que ao sinal de qualquer dificuldade não poupavam esforços na solução dos problemas!
E há registro de exemplos aos montes – o material genético era um enorme problema e limitação. Bastaram algumas conversas e já dispúnhamos de sementes da melhor qualidade trazidas da Austrália – salve nosso saudoso Dr.Ronaldo Guedes Pereira e seu amigo inseparável e ainda vigilante no setor, o Dr. Antonio Rensi Coelho. Deram enorme contribuição ao setor e ao Brasil. Um ganho de inestimável e estratégico valor para a silvicultura brasileira! O IPEF sob a batuta do Prof. Helladio do Amaral Mello e sua excelente equipe de colaboradores incentivou a pesquisa entre empresas e universidades, da mesma forma que a SIF, em Viçosa e, o FUPEF em Curitiba. Instituições que resultaram unicamente da disposição e decisão dos profissionais que lideravam suas empresas! E quantas realizações, quantos investimentos e que tamanha facilidade para que as “coisas” acontecessem! Até a clonagem de eucalipto cercada de tantos segredos tecnológicos, de repente, estava à disposição de todo o setor – o Dr. Leopoldo Brandão e seu fiel escudeiro, o Eng. Edgar Campinhos resolveram o problema da Aracruz e abriram as portas da empresa para todos que queriam trabalhar com clones!
E assim, há inúmeras contribuições que enriqueceram a atividade e beneficiaram a todos. Sem vaidades e sem ciúmes, sempre caberá o devido reconhecimento, em torno da iniciativa desse ou daquele profissional – verdadeiros vanguardeiros dessa nossa silvicultura rica e admirada no mundo!

E a razão de importantes recordações? A convicção de que havemos de nos despertar para as novas demandas e aos novos desafios de nossa silvicultura!

Sem choro e nem vela! Que tudo está mudado todos sabem! O que parece difícil de se entender são as razões da falta de ações concretas diante das dificuldades e limitações que passam à frente de todos nós!

De um lado, há problemas a serem resolvidos e muitas questões sem rumo definido. Será que alguém duvida disso? Fala-se em queda de produtividade, dos matérias genéticos que já não atendem adequadamente a todos, dos programas de fomento que continuam mais “para boa vizinhança” do que como estratégia de suprimento de madeira, das pragas que aumentam sem alarde, e até das formigas que estão mais resistentes e teimosas; preconiza-se o manejo das florestas plantadas direcionadas à sustentabilidade, o pagamento dos serviços ambientais, a proteção de águas, da biodiversidade e a harmonização das florestas plantadas com as paisagens; fala-se em recuperação de áreas degradadas e de créditos de carbono e há mais e mais pendências… e nenhum sinal concreto de “coisas novas”!

De outro lado, há muitas dificuldades para se reunir interessados e colaboradores e com certeza, não faltam profissionais competentes. Um esforço conjunto e integrado está se tornado cada vez mais necessário. Há de se juntar lideranças que decidam, de fato! Será que a voz da floresta já não ecoa nas reuniões empresariais com a mesma intensidade? Será que o período de “vacas gordas” com abundância de madeira congelou o poder de decisão da floresta?

Recordar e lembrar do sucesso, lá de trás, deve obrigar a todos nós a uma reflexão “do que fazer e como fazer”. Não podemos deixar que a nossa silvicultura perca a invejável competitividade e que realmente se torne sustentável.

Que mantenhamos acesa a valorização da tecnologia e dos profissionais e que, acima de tudo, nossas lideranças empresarias tenham força e fôlego para tomar as decisões que dão vida ao setor no presente e criam oportunidades para o crescimento e desenvolvimento de nossa silvicultura no futuro!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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