Num contexto em que, com toda razão, se fala muito em desmatamento, num momento em que lastimáveis desastres, daqui e dali, são colocados na conta de problemas climáticos, enquanto garimpeiros ilegais reviram terras indígenas, será que não seria oportuno que as florestas e suas riquezas também fizessem parte da pauta estratégica das políticas públicas para o desenvolvimento do país?
Será que discussões sobre defesa da Amazônia, restauração de áreas degradadas, pagamento de serviços ambientais, créditos de carbono e mais meia dúzia de boas intenções não seriam fortalecidas, através de um programa florestal brasileiro com prioridades e metas, adequadamente, estabelecidas para dar sustentabilidade a tudo isso?
Será que essa não seria a forma de passarmos para o centro das discussões estratégicas, ao invés de nos mantermos periféricos? E com boa dose de otimismo – com tantos profissionais que conhecem o setor e sua importância, seus benefícios e seu potencial de crescimento para geração de empregos, renda e protagonismo destacável no mercado internacional de produtos e serviços das florestas? Com certeza, deixaremos de ser periféricos!
Há cerca de 50 anos, por incrível que possa parecer, importávamos comida e nas excelentes condições naturais para produção que temos. Criou-se a Embrapa e com sua brilhante atuação o Brasil se transformou no grande produtor agropecuário em nível internacional! E com espaço, possibilidade e necessidade de aumentar ainda mais sua produção. O mundo precisa disso!
Há cerca de 50 anos importávamos celulose e papel. Veio o Código Florestal, criou-se o IBDF, instituiram-se os incentivos fiscais para reflorestamento e o Brasil se colocou entre os maiores produtores mundiais de celulose, de papel e de chapas de madeira. E há espaço para continuarmos crescendo!
Nos dias atuais, dispomos da maior reserva florestal do mundo, mas ainda temos participação insignificante no mercado internacional de produtos florestais. Temos imensidões de áreas degradadas e uma dívida internacional que nos obriga a plantar 12 milhões de hectares, até 2030,mas continuamos engatinhando com essa programação. Fala-se que temos condições de gerar riquezas imensuráveis com créditos de carbono! Temos um mundo de oportunidades com nossa riquíssima biodiversidade. Tudo a explorar e com experiência, competência e tecnologia.
Enfim, temos exemplos de realizações bem sucedidas a serem melhoradas e replicadas, à semelhança do que foi a EMBRAPA para agricultura e os incentivos fiscais para florestas plantadas. Temos condições excepcionais para produzir e competir em nível internacional. Temos mercado que demanda e, acima de tudo, temos brilhantes profissionais envolvidos nas questões florestais, tanto em nível governamental, quanto empresarial!
Com tudo isso, torna-se intrigante a indagação – o que está faltando para que o Brasil se torne uma potência de produtos e serviços da floresta com destaque em nível internacional à semelhança do que aconteceu com nossa agricultura?
Com a palavra os que acreditam e não perdem a esperança de que se repitam as realizações bem sucedidas de tantos anos atrás!
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br