INCENTIVO ÀS ESPÉCIES NATIVAS, UMA NECESSIDADE À SEMELHANÇA DAS EXÓTICAS!

A silvicultura brasileira continua com uma grande dívida – o uso de espécies nativas na formação de florestas para os mais diversos objetivos!

Há tempos fala-se em recuperar áreas degradadas, florestas para proteção de nascentes e de bacias hidrográficas, plantios comerciais para produção de madeira, dentre outras finalidades. Falava-se da falta de informações técnicas para garantia de bons resultados.

Aparentemente, já se evoluiu bastante nesse sentido. É lógico, que ainda há de se melhorar, mas há inúmeras iniciativas bem encaminhadas, e profissionais altamente capacitados e prontos para uma arrancada inicial.

Há quem afirme que a situação dos dias atuais para muitas espécies nativas é muito parecida com a das espécies exóticas no início do grande ciclo de crescimento por volta dos anos 70 – sem melhoramento genético, práticas silviculturais em andamento e baixa produtividade. No entanto, atualmente para o caso das nativas, temos enorme bagagem de conhecimentos acumulados com as espécies exóticas, além da quantidade de profissionais preparados e o acúmulo de pesquisas e experimentações desenvolvidas! Talvez, esteja faltando, de fato, um amplo programa de divulgação e comunicação a respeito do que existe disponível!

Fala-se num total aproximado de 10 milhões de hectares de plantios florestais, com a probabilidade de que as áreas com espécies nativas não estejam tão distantes da faixa de 1 a 2% desse total! Há de se destacar, no entanto, o ambiente favorável para se implementar plantios com espécies nativas – áreas degradadas demandando recuperação, nascentes e bacias hidrográficas necessitando de proteção, dívidas com compromissos internacionais, grande potencial para nos habilitarmos a créditos de carbono, aumento de interessados em plantios comerciais, profissionais preparados e muitas informações técnicas disponíveis!

Diante desse quadro, fica a pergunta – o que falta para que a silvicultura com espécies nativas cresça e se torne mais uma atividade rural de grande interesse econômico, social e ambiental?

Tem sido destacado como principais dificuldades para crescimento dos plantios o longo prazo característico desses empreendimentos, o elevado custo de implantação e manejo para determinados objetivos e a inexistência de financiamentos compatíveis com as culturas. Diante de tais dificuldades, geram-se incertezas quanto à viabilidade econômico – financeira dos investimentos. A possibilidade da geração de créditos de carbono e o pagamento por serviços ambientais, talvez possam se transformar em instrumentos complementares para viabilização dos empreendimentos.

Para muitos, no entanto, o que falta mesmo é vontade política para que se estabeleçam regras adequadas e mecanismos concretos de incentivos à atividade. O sucesso alcançado com a política de reflorestamento para as espécies exóticas deveria ser a referência básica a ser aprimorada e adaptada às condições e necessidades de nossas espécies nativas.

Por que não copiar o que deu certo?
Será que ainda temos dificuldades para assumirmos os incentivos fiscais para reflorestamento, como a mola propulsora do riquíssimo patrimônio florestal e industrial brasileiro?

Será que com a experiência adquirida, tecnologias avançadas e profissionais altamente capacitados não teríamos condições para promover as eventuais correções e melhorias no mecanismo utilizado anteriormente?

Por que não criamos condições especiais de incentivos às empresas de base florestal beneficiadas pelo sistema anterior para investirem em empreendimentos com espécies nativas?

Temos todas as informações sobre as dificuldades encontradas, os caminhos para superação e os resultados alcançados a nossa disposição para serem processados e utilizados! A única explicação para não aproveitarmos as experiências vividas é a falta de vontade política!

Diante dessa apatia política, estamos deixando de promover uma alavancagem gigantesca em nossa silvicultura de espécies nativas! Sem o empurrão governamental vai ser muito difícil avançarmos em tão promissora oportunidade!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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