O assunto sustentabilidade das florestas plantadas continua sendo um assunto discutível, às vezes, controverso e com muitas histórias! Ouve-se de tudo! Cabe preocupação às colocações que tratam do assunto, enfatizando, exclusivamente, a produtividade como referência para sustentabilidade dos empreendimentos! Nesses casos, não se nota nenhuma atenção além do cronograma operacional – plantio, manutenção e proteção das florestas. Enfim, entendem a sustentabilidade, como sinônimo de produção de madeira, e boa! O foco desses empreendimentos se restringe a reduzir custo e aumentar produtividade. E muitas vezes, acréscimos insignificantes, quando comparados às perdas, causadas por barbeiragens, que se cometem no dia-a-dia, principalmente pela ausência de profissionais no campo. Já dizia um grande e respeitado silvicultor – “depende da sensibilidade, experiência e presença de profissionais de campo o sucesso ou o fracasso de qualquer empreendimento florestal – da orientação técnica, ao sucesso das inovações e, acima de tudo, à aplicação e respeito às exigências e necessidades sociais e ambientais da atividade”. Sábios e sempre atualizados ensinamentos!
Tem-se observado que a presença técnica no campo evita que vá para o lixo o melhoramento tecnológico e que sejam marginalizados os cuidados operacionais necessários à sustentabilidade da silvicultura. O olhar de campo evita erros na quantidade e distribuição de adubo e outros insumos, no controle de formigas, na seleção e uso de mudas, na proteção dos remanescentes florestais, no estabelecimento de corredores ecológicos, na proteção de solos, na distribuição e locação harmoniosa de talhões, na abertura de estradas, nos cuidados com os sistemas hidrológicos, e outros inúmeros detalhes operacionais dos empreendimentos florestais. O profissional experiente e atento no campo é a melhor ferramenta para se garantir o sucesso dos empreendimentos.
É o elo mais sensível da cadeia produtiva! Na verdade, todo mundo sabe disso. A diferença está entre saber a importância de estar no campo e atento para ver e enxergar as prioridades, de fato! Todo esforço é necessário para que os profissionais de campo sejam devidamente treinados, orientados e reconhecidos! A solução não está no tapinha nas costas e conversas melosas. O que resolve é treiná-lo e valorizá-lo em função da importância estratégica do seu trabalho. Há de se embutir nessa visão de campo o compromisso e responsabilidade pelos resultados operacionais a serem alcançados –positivos ou negativos – além dos aspectos sociais e ambientais.
O importante, a se destacar dessa prosa, é haver ótimos exemplos de sucesso a serem seguidos. Empreendimentos com florestas de altas produtividades e pleno atendimento das necessidades sociais e ambientais. E sem nenhum milagre – só com treinamento, orientação, e acompanhamento de campo, de segunda a segunda. São esses exemplos concretos de sucesso, que justificam os conceitos do respeitado silvicultor – acompanhar e viver o campo é garantir o sucesso dos empreendimentos florestais e consolidar as bases da silvicultura sustentável!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br