O MUNDO FLORESTAL – OPORTUNIDADES, RIQUEZAS E POBREZA INSTUCIONAL!

É inegável que a sensibilidade da sociedade para o tema florestal sempre existiu! Vem do nome de nosso país, inspirado numa árvore muito cobiçada desde a época do descobrimento – o pau-brasil! E seguiram- se inúmeras manifestações de preocupação com a floresta, passando pelos Códigos de 1934, de 65 com suas inúmeras adequações, além das centenas de legislações, pondo regra em tudo, as vezes até atrapalhando, mas sempre em atenção ao tema. Veio o Instituto do Pinho, depois o IBDF, a política de incentivos fiscais para reflorestamento, as ações de reposição florestal, a criação das áreas protegidas, as unidades de conservação, IBAMA,ICMBIO, escolas de engenharia florestal, instituições de pesquisas, ONGs de todo tipo, associações de classe, inumeráveis atividades econômicas à base das florestas, indústrias gigantescas e, mais modernamente, cresce todo dia a preocupação do mundo com as nossas florestas!

E fala-se em milhões de empregos e ainda se cobram medidas urgentes para mitigar desastres climáticos globais!!! Nessa importante e crescente escalada ficam algumas perguntas:

1- Já houve alguma manifestação governamental para valorizar o setor?

A resposta é sim!!! E são inumeráveis as iniciativas governamentais em todos os níveis para valorização do setor florestal, de forma ampla e irrestrita! E mais – quantos profissionais competentes já se envolveram e dedicaram suas vidas para desenvolvimento do setor florestal brasileiro!!! Só que todo o esforço está disperso em diversas entidades governamentais! E a sensação de vazio institucional prevalece e espanta!

2- A sociedade conhece e sabe disso?

Nos dias atuais, em que a floresta é tão venerada no Brasil e no mundo por seus benefícios econômicos, sociais e ambientais, não há nada governamental de concreto que centralize e transmita essa sensação de comando e que responda por tantas obrigações, necessidades e pelo famigerado desmatamento de todos os dias!! Há uma sensação generalizada de que o assunto florestal no Brasil não tem comando! Com tantas discussões e falações, fica a impressão de que ninguém manda em nada!

3- Há, no entanto, uma ressalva interessante a ser feita – e se fortalecer-se, dar independência e a devida autonomia às iniciativas existentes e que já deram sinais positivos? Identificar o que só precisa ser melhor estruturado, talvez seja uma missão mais interessante e lógica do que criar “coisas novas”!

4- E agora às vésperas de eleições, será que não é o momento exato de mostrarmos as realidades do setor florestal brasileiro? Temos ótimos exemplos de sucesso, grandes empreendimentos e excelentes oportunidades econômicas, sociais e ambientais, além de centenas de profissionais altamente capacitados! Nossos governantes estão ansiosos na identificação de bandeiras importantes para serem apresentadas! O mundo das florestas não seria essa bandeira a ser mostrada e defendida?

5-Por que nos calamos, com tanta competência, grandes empresas, universidades, entidades representativas, ricas e influentes?

Há mais um mundo de indagações a se fazer! Mas nenhuma grande novidade. Problemas e pendências que se arrastam há tempos! Fiquemos com a esperança de que surjam interessados em desenrolar essa encrenca!! Mas, por enquanto, só nos resta a esperança no meio dessa mistura de tantas oportunidades e riquezas e de tamanha pobreza institucional!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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