Foi essa expressão de quase indignação, que ouvimos de um recém-formado em engenharia florestal, quando falávamos da necessidade de um esforço conjunto do setor florestal, num momento de desafios e oportunidades. E a insistência foi mais triste ainda – “será que existe algo mais importante para o engenheiro florestal do que as florestas? E nos dias atuais, só se fala em desmatamento e eu não ouço, em nenhum momento, qualquer manifestação ou proposta de nossos amigos florestais! Como explicar isso? Existe ou não existe o setor florestal brasileiro?”
Tentamos mostrar as preocupações de algumas entidades representativas e até a movimentação e alardes da própria imprensa. Não adiantou em nada! A fúria aumentou – “a engenharia florestal sumiu, estamos perdendo ótima oportunidade para mostrarmos a utilidade de nosso trabalho e de tudo que aprendemos nas universidades. Não ouço uma discussão e nem comentários de alternativas para resolver problema tão importante e que interessa a toda sociedade”. E ainda acrescentou – “tenho ouvido muito mais profissionais de outras áreas interessados no assunto, mas nada dos florestais”. Ainda tentamos levar para o lado das florestas plantadas e daí, tomamos uma cacetada maior – “esse pessoal é a parte rica e independente do setor e vive numa bolha de excelência, com caraterísticas, organização e vida própria e não se envolve nessas questões das florestas brasileiras! Com certeza, se quisessem ajudar, as coisas seriam diferentes, mas parece que o problema não é deles!”. O tom da prosa foi amenizado, quando alguém informou – “está na hora do embarque, e continuamos essa conversa numa outra oportunidade!”.
Então…. guardamos toda essa angústia do recém-formado para compartilhar com os amigos da nossa Comunidade! Provocativamente, será que temos argumentos para nos contrapor às justificativas expostas? Será que essa indignação representa o sentimento das gerações que estão se iniciando na vida profissional? E lembrar que se formam todos os anos quase 2000 engenheiros florestais no Brasil!
O que acham? Com a palavra os interessados, e que sejam bem-vindos os comentários!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br