Há quem aposte que o grande desenvolvimento técnico da silvicultura brasileira deve muito ao ambiente de integração e colaboração entre as empresas e instituições de pesquisas do setor. Com despreendimento, respeito e sem restrição, as informações eram trocadas sem nenhuma preocupação competitiva. Todos ganharam e o setor virou destaque em nível internacional!
Agora, vivemos novos tempos e as mudanças trouxeram ares de uma velada e disfarçada competição. Dessa forma, os mesmos apostadores acham que o sucesso do passado seria impossível de se viabilizar nos dias atuais. Senão vejamos!
1- Quando se indaga sobre as grandes dificuldades da silvicultura, quase sempre se ouve: “precisamos melhorar nossa base genética”! É uma conversa que se arrasta há anos! Antes, identificava-se a necessidade de se buscar sementes, e sem rodeios – do Brasil para a Austrália – e tínhamos as sementes. Foi num desses arrojos que se deu o salto mais expressivo de nossa produtividade! Solução para todos e sucesso compartilhado!
2- Há uma enorme riqueza de informações científicas nas empresas e instituições de pesquisas, mas continuam problemas de produtividade, que se repetem com roupagem diferente nas diversas regiões. Faltam discussões conjuntas e o compartilhamento da experiência profissional precisa se tornar uma palavra de ordem do “compliance” empresarial!
3- Há informações circunscritas a grupos restritos, de muita competência, mas altamente competitivos e rigorosamente fechados!
4- E as grandes reuniões de campo, onde problemas e inovações bem sucedidas eram apresentadas à apreciação de todos, sumiram! Críticas e sugestões que enriqueciam o setor foram emudecidas. Cada um com seus problemas e atrás de suas soluções. Do e para o vizinho nada!
5- Essa situação, onde cada um cuida só dos seus interesses, parece predominar nesse ambiente competitivo! Desapareceu a preocupação com o fortalecimento e desenvolvimento técnico do setor. Sumiu o espírito colaborativo! Parece que a regra é ‘’cada um que cuide do seu umbigo”!
6- Nem pensar em mudanças nessa cartilha, mas parece inevitável que para resolver certos problemas que afetam a todos, a soma de esforços parece imprescindível! O enriquecimento de nossa base genética é um bom exemplo a ser pensado!
7- O que acham?
8- Estamos vendo a realidade nua e crua, ou estamos assustados com fantasma num mundo de anjos?
9- Se estamos falando da realidade dos dias atuais, fica a sugestão para reflexão dos silvicultores! E a torcida para que se consiga juntar os esforços de excelentes e competentes profissionais, pelo menos para solução de problemas da silvicultura brasileira, que sempre dependerão da colaboração de todos!
🌱Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br