Quem acompanha o noticiário sobre reuniões, seminários e lives do setor de florestas plantadas tem percebido que os assuntos giram, principalmente, em torno da queda de produtividade das florestas plantadas e da possível falta de madeira em algumas regiões, bem na contramão do aumento de consumo das grandes empresas, do surgimento de novas indústrias e de bilionários investimentos em expansões e otimizações! E a reação na valorização da madeira, ainda tímida, já mostra a “cara”! Estão formados os ingredientes perfeitos para provocar quem tem floresta e quem tem interesse em investir em floresta.
Para os que estão no setor não há tanta novidade, são ciclos conhecidos. Desta vez, o destaque fica para o longo prazo de “vacas magras” e os seus impactos em toda a cadeia de produção!
Nesse ambiente, ainda sem caminhos definidos, surgem os interessados no “bom negócio”. É aí que mora o perigo! Um misto de oportunidades e riscos que precisaria ser devidamente trabalhado para que tivéssemos um jogo em que todos ganhassem e não um jogo em que poucos ganham e muitos perdem!
As grandes empresas consumidoras, com certeza estão bem informadas e são devidamente competentes para se ajustarem por conta dos recursos disponíveis ou pelo aperto nos menos avisados. Sem informações, sem representatividade e zero de políticas públicas, há grande chance de coincidir os que procuram “bons negócios” agora, com os “menos avisados”, lá na frente!
Nesse jogo de adivinhação, há quem aposte em mudanças! Deverão surgir programas de fomento bem estruturados, que vão transformar seus vizinhos em parceiros de todas as horas – e isso poderá até aumentar as áreas plantadas nas regiões com silvicultura de alta tecnologia. De outro lado, há novos interessados que se cercarão dos devidos cuidados e vão se lançar no “bom negócio” com certeza de mercado e preços compensadores! Dessa forma, fomentados respeitados e devidamente remunerados e “novos interessados” conscientes e satisfeitos com o que vai acontecer, lá na frente, há de se imaginar que a silvicultura poderá dar novo salto em seu crescimento. E até que os “novos interessados” estejam devidamente informados, fica a sugestão: se estiver bem localizado, garantia de mercado a preços remuneráveis e se aplicar a boa tecnologia disponível… vá em frente!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br