De tempos em tempos a silvicultura dá saltos qualitativos. Para muitos, esses saltos surgem depois de crises, ameaças ou limitação à estabilidade do setor. Normalmente, provocam impactos na produtividade, no social, no ambiental ou na estrutura organizacional do setor, dentre outros.
Tivemos um salto importante com a adubação das florestas, em seguida com as sementes melhoradas e com a clonagem de eucalipto completou-se um grande ciclo de produtividade. Com essa soma de conhecimentos saímos de 15/20 para 30/40 metros cúbicos /ha/ano. Estar mais próximo de 30 ou de 40 era competência profissional das diferentes empresas. Com a chegada da certificação, mais instrutiva do que fiscalizadora, grande salto se deu no social e ambiental, além de consolidar os procedimentos operacionais. Regra bem geral, pois ainda nos dias atuais e sem muito esforço, encontramos casos com 10 a 20 anos de atraso, que se misturam no embalo da campeoníssima silvicultura brasileira!
Nos últimos 20 anos, nada tão expressivo para mudar o rumo da silvicultura. No entanto, muita evolução tecnológica na otimização dos procedimentos e inúmeras ferramentas digitais para aprimorar os controles e monitoramentos das florestas. Num período com madeira sobrando e com tanta sustentabilidade para todos os lados, até grandes “ barbeiragens operacionais” não justificavam qualquer preocupação!
No entanto, nos últimos anos, as coisas mudaram e até o assustador “apagão florestal” passou a ser lembrado nas “conversas de aeroporto”! Acendeu-se a luz amarela e a luz vermelha, apesar da sustentabilidade e discursos pomposos de muitos empreendimentos. Foi só os estoques da madeira de salvamento se esgotarem e a correria começou. E todos os sinais camuflados por anos se mostraram ameaçadores: materiais genéticos improdutivos, pragas e doenças a todo canto, os impactos das secas prolongadas, os fomentados que se afastaram, o preço da madeira se ajustando, dentre outros, são alguns dos sinais que anunciam novos e desafiadores tempos à silvicultura! Para muitos teremos imprescindíveis avanços em toda a cadeia produtiva!
O que consola é que muitas mudanças, até então, sem a devida atenção, com certeza, trarão mais valorização à tecnologia, às necessidades sociais e ambientais e à competência profissional!
Vai ganhar e ganhar muito a silvicultura!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br