Mais recentemente, temos visto um esforço muito grande de algumas instituições tentando viabilizar programas de restauração florestal – Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura, S.O.S Mata Atlântica, dentre outras.
Segundo registros bibliográficos, esses movimentos apresentam muita semelhança aos movimentos que deram origem à silvicultura comercial, lá nos anos 60/70. Lá atrás, pesquisadores e profissionais procurando proteger nossas florestas e, preocupados com a falta de madeira para atender a demanda crescente de produtos industriais importantes à sociedade, organizaram-se e reivindicaram junto ao Governo Federal o estabelecimento de uma política pública que incentivasse a atividade de reflorestar. Surgiam os incentivos fiscais para reflorestamento – Lei 5106 de 1966! Iniciavam-se os trabalhos de reflorestamento, que deram origem ao rico patrimônio industrial que, atualmente, atende ao mercado interno, exporta para o mundo inteiro e gera milhões de empregos.
Um exemplo de sucesso a ser seguido! Para muitos, o segredo foi ter transformado uma necessidade num negócio com valores econômicos concretos.
E nessa história, onde entram as semelhanças com os movimentos para restauração? Temos profissionais competentes e providos de muitas informações! Temos a sociedade interessada e atenta aos problemas climáticos, desmatamentos, falta de água em muitas torneiras! Há conhecimento e sensibilidade generalizada da estreita relação entre florestas e água! A falta de água assusta e já se tornou um drama para muitas regiões! Com certeza, não há quem ponha em dúvida a necessidade de se adotar medidas que protejam nossos recursos hídricos – a nossa água de todos os dias – a demanda está sacramentada!
Será que não valeria a pena pensar- se numa política de incentivos fiscais para restauração florestal, visando a proteção de nossos recursos hídricos? Só há uma certeza: o Brasil tem exemplo de sucesso para ser seguido, além de profissionais e competência técnica e científica para dizer o quê, e como fazer. E tudo com as correções e ajustes das experiências já vividas!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com