FLORESTAS PLANTADAS: QUEM GANHA E O LEGADO QUE FICA!

Esse assunto desperta muitas curiosidades! A todo instante comenta-se que nossa silvicultura é campeã de produtividade, que somos altamente competitivos, que a madeira é a solução para muitos problemas futuros, mais isso e mais aquilo!
E quem ganha com tudo isso? Quem planta, quem comercializa, quem industrializa ou quem presta serviços na cadeia produtiva? Afinal, quem está, de fato, ganhando com a competitividade das florestas plantadas?
Não é uma resposta tão simples, mas algumas constatações são inquestionáveis: há muitos pequenos, médios e grandes produtores – estes, basicamente, representados pelas TIMOS – dos quais só se ouvem queixas e reclamações dos preços pagos pela madeira. Com tantas reclamações, com certeza a competitividade não deve estar trazendo tantas vantagens para essa turma que produz.
Os prestadores de serviços, que representam mais de 80 % da mão-de-obra à disposição da cadeia de produção florestal, reclamam e reclamam muito! Vivem pensando em parar todo final de mês, quando as contas não fecham, mesmo depois de 30 dias de mágicas e malabarismos! E, nesse balaio, entram os terceiros de toda ordem, além de produtores de mudas, consultores, empresas de serviços especializados, etc. Portanto, não há razões para se vangloriarem da tal competitividade!
Fica, no final da linha, os que industrializam! Que também choram, só que sabem onde e quando chorar. Com certeza esses ganham, e o “chororô” é porque gostariam de ganhar muito mais!! Com indústrias bilionárias se expandindo e aumentando a produção, não há nenhuma lógica para se pensar diferente!
E qual o segredo? A indústria coloca um preço de referência para a madeira colocada na fábrica, depois de cobrir suas despesas e garantir sua lucratividade. E avisa: “só pago, até aqui!” É lógico que se a fábrica der uma patinada, a régua sobe. Só a madeira vinda de 1000 km, que serve de tapa-buraco, não respeita a regra! Nesse valor – “só pago, até aqui” – há de se remunerar o transporte, que ninguém se atreve a peitar; o alto custo da colheita, que foi para áreas planas para mecanizar e ficar mais barata, e a madeira! Aqui, na madeira, é que se ajeitam as contas, e que se danem os envolvidos!
Os produtores – pequeno, médio ou grande – e os prestadores de serviços, que são os principais protagonistas do processo de produção florestal, que se acertem com seus investidores ou colaboradores para manter a floresta competitiva! É a parte que mais emprega, que sustenta o processo produtivo e quem está bancando a competitividade das florestas plantadas!
Será que a silvicultura brasileira continuará sendo competitiva e sustentável, se pagar preços justos para a madeira e remunerar adequadamente os servidores e colaboradores da cadeia de produção? Há controvérsias!
De qualquer forma, vamos torcer e lutar para que os verdadeiros gargalos da produção floresta-indústria sejam identificados e corrigidos para evitarmos que caminhemos para se deixar como legado às próximas gerações um riquíssimo patrimônio florestal e industrial insustentável!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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