A SILVICULTURA E A SUSTENTABILIDADE SEM CONVERSA MOLE!

A sustentabilidade tem sido a palavra mais utilizada nos últimos tempos, quando o assunto é silvicultura. Qualquer discurso que trate de florestas plantadas sempre termina com um sonoro- “ é a sustentabilidade da silvicultura brasileira”. Fora os homens dos discursos, qualquer profissional do setor sabe que essa “conversa mole” não cola! Há anos, os produtores de madeira, principalmente os pequenos e médios sofrem, não conseguem pagar suas contas e não querem nem ouvir falar em plantar eucalipto ou pinus. Muitos já entregaram suas florestas a preço de banana e se transformaram em inimigos da silvicultura.

Mas os discursos continuam e criam-se programas disso ou daquilo, tudo para endeusar a abstrata sustentabilidade, e nada para melhorar as condições dos negócios concretos de madeira dos produtores! Ainda somos os campeões do metro cúbico, mas longe de podermos dizer que todos que trabalham com produção de madeira são sustentáveis. Na verdade, alguns sabem ser, pois com madeira a valores variando de 20 a R$ 50,00 o metro cúbico em pé, com certeza, há gente satisfeita, que soube jogar e se saiu bem! Mas a grande maioria de pequenos e médios produtores, encontra-se quebrada! O estranho é que nada disso é segredo e nem causa surpresa a ninguém. E o pior ainda, é que grandes consumidores, que sempre vão depender da madeira, sabem de tudo e não mudam uma palha para modificar a situação.

É o mercado e boa! Portanto, falar de silvicultura brasileira sustentável só cola para quem não conhece nada do setor! No entanto, mais recentemente, estão surgindo sinais animadores! Os produtores quebrados estão eliminando suas florestas e os estoques desaparecendo. Fim de feira, e a madeira a preço de banana está sumindo! Em algumas regiões o valor já dobrou e já se fala em até R$50,00 o metro cúbico!Com certeza, por mais algum tempo, ainda teremos caminhões perambulando a milhares de quilômetros de centros industriais, antes que a teimosia se dobre diante da nova realidade.E que fique a grande lição desses amargos tempos – a silvicultura só é sustentável, quando a madeira tem preços justos, o resto é conversa mole!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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