EUCALIPTO DE 300, DE 200 E RAZÕES PARA REFLEXÃO!

Há anos atrás, os experientes compradores de madeira só olhavam no eucalipto e diziam: “com certeza, se tiver sete anos de idade deve ter perto de 300 metros cúbicos por hectare”. E por muito tempo, grandes negócios eram fechados apenas com essa olhada geral na floresta – as diferenças, normalmente, se acertavam no fechamento das contas. Nos dias atuais, e com as ferramentas disponíveis, as avaliações são bem próximas da realidade e os antigos compradores de madeira foram esquecidos. Certa vez, indagamos um conhecido comprador de madeira sobre as referências usadas para chutar com tanta precisão. E a resposta foi imediata: “É bem simples, é só prestar atenção na cor do solo, da floresta e na quantidade de mato e luz dentro do talhão. Tudo bem verdinho, sem mato e sem luz e num solo vermelho, pode apostar que dá perto de 300! Luz para todo lado, solo branco e mato, pode apostar que não chega a 200!”.

Essa história nos veio à lembrança, ao avaliar as florestas que fomos encontrando durante uma longa viagem de mais de 1200km para os lados de Brasília. Vimos de tudo! Florestas de eucalipto de todo tamanho, em idades diferentes e com as mais diversas características! Em resumo, pudemos observar: eucalipto do começo ao fim do trajeto – indiscutivelmente, quer gostem, quer não gostem, é plantado em todo lugar! Poucos plantios novos e muitas florestas em segunda rotação – parte mal conduzidas, algumas abandonadas e muitas com boa produtividade; florestas bem verdinhas e sem muita luz também foram vistas, mas longe de ser a maioria; muitas florestas de verde pálido, com aparência de desnutrição, sinais de árvores secas e presença de pragas – essa visão é bem comum; algumas áreas sendo destocadas para dar lugar à agricultura, que bomba, se esparrama para todo canto mecanizável e parece querer expulsar a silvicultura – florestas desvalorizadas, com certeza, vão perder espaço – e, curiosamente, enormes carretas com madeira descascada tão distantes de centros industriais… paremos por aqui! Tudo pode ser visto nas proximidades das estradas. É só prestar um pouquinho de atenção! E se olhar, querendo ver, vai enxergar mais detalhes!

Preocupa a quantidade de problemas corriqueiros que se somam em prejuízo das florestas. Realmente, com muita propriedade, já dizia nosso mestre Dr. Helladio: “Se quiser conhecer a situação da silvicultura vá para o campo”.Ficam os registros para reflexão dos silvicultores interessados!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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