A silvicultura brasileira se tornou um sucesso graças às pesquisas desenvolvidas, no momento certo, pelas instituições de pesquisas e empresas, e a divulgação das informações de todos para todos. A pesquisa mostrava os resultados, apontava a direção e o silvicultor, lá no campo, corria para agregar os avanços tecnológicos aos plantios. Dezenas de novidades se somaram para aumentar a produtividade. E tudo, sempre num ambiente de respeito e colaboração, sob a liderança de ilustres pesquisadores e empresas de vanguarda. Foi o período áureo da silvicultura, com compartilhamento pleno de tudo e sem nenhuma restrição. Reuniões do IPEF, SIF e outras instituições eram verdadeiras feiras de novidades e troca de experiências. Todos ganhavam!
A pesquisa abria espaço, continuamente, para melhoramentos operacionais! E assim se consolidou a fertilização das florestas, o uso de sementes melhoradas, a produção de clones, espaçamentos mais equilibrados, mais precisão nos tratos culturais e, por aí, problemas e soluções evoluíram num sincronismo perfeito. E nada de segredos ou confidencialidades! A qualquer dificuldade, juntavam-se pesquisadores das várias instituições e, em pouco tempo, surgiam as soluções a serem adotadas. Para muitos foi esse sincronismo entre problemas do dia-a-dia e a pronta resposta das pesquisas, a grande alavanca para se promover o salto na produtividade de nossas florestas! Esse processo consolidou as referências básicas de um pacote tecnológico de sucesso que deu a impressão para muitos de que todos os problemas já estavam resolvidos! E assim, à exceção de melhorias específicas, dessa ou daquela empresa, formou-se o grande patrimônio florestal existente.
Ao longo do tempo, as pesquisas tiveram continuidade, com mais foco em detalhes específicos e ligadas aos interesses e competência das diferentes empresas. Aquela corrida conjunta para construção do setor perdia a intensidade e o sincronismo entre problemas, pesquisas e soluções foi se esvaecendo. Continua valendo o esforço e a capacidade das instituições de pesquisas e das empresas na procura de novos avanços científicos , mas aquela filosofia do esforço conjunto e compartilhado para o bem da silvicultura de todos ficou para a história. Perdeu espaço para uma silenciosa e progressiva competição, sob o manto protetor do educado e diplomático compliance!
Novos tempos, com mais planilhas, arzinho fresco, mais reservas e independência e menos barro!
Tomara que essa nova postura tenha força suficiente para resolver os problemas que estão batendo à porta, afetando a produtividade de todos e que, indubitavelmente, irão exigir rapidez nas soluções e, acima de tudo, um grande esforço de todos para manter a sustentabilidade do setor!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com