A SILVICULTURA E A ENCRENCA BATENDO NA PORTA

De tempos em tempos surgiam novidades na silvicultura brasileira. Há muito tempo, nada de novo quanto aos procedimentos silviculturais. No entanto, o mundo digital avança em controles, planejamento, inventário, automação disso ou daquilo e sobre máquinas e equipamentos sofisticados para colheita. Trouxeram a floresta para dentro do escritório em ambiente com água fresca e sem barro! E a colheita, até assusta! Uma tremenda operação de guerra bem sincronizada. Um verdadeiro show de arrojo e competência! Na verdade, esse negócio de planejar, observar, avaliar, entender a floresta e colher a madeira está lá na frente. Nesses aspectos a evolução foi gigantesca e de encher os olhos!

Há, no entanto, uma tremenda encrenca batendo em nossa porta de manhã, à tarde e à noite! Vamos aos fatos: Nos últimos 5 anos, tem aumentado muito a ocorrência de pragas e doenças em todas as regiões. E cada vez mais vorazes! Só isso já seria o suficiente para tirar o sono de muita gente. Até porque uns cuidam bem, outros mais ou menos e alguns não fazem nada e não estão preocupados com os problemas causados! Junta-se a isso o prolongamento de períodos secos em locais, até então, nunca afetados por tais injúrias climáticas. E para mais complexo da equação cresce o interesse por novas áreas sem informações seguras e com os mesmos materiais genéticos – ou quase os mesmos!

A grande encrenca é que esse rico patrimônio florestal sustenta um parque industrial de incalculável valor e de importância econômica, social, ambiental e estratégica para o desenvolvimento de inúmeras regiões do Brasil! Manter a sustentabilidade dessas indústrias é quase que um problema de “segurança nacional”!

Mas há riscos? Se houver medidas preventivas e darmos prioridade aos programas de pesquisas que sumiram, com certeza, os impactos serão mitigados e nos manteremos firmes e fortes e a festa continua! Mas se prevalecer só a cabeça matemática, achando que os estoques de madeira são inesgotáveis e continuarmos guiados por planilhas para otimizar intervenções, a encrenca vai crescer, se fortalecer e criar danos irreparáveis! Uma encrenca louca e incontrolável. Um fim de festa preocupante!

Com a palavra o pessoal da biologia – que sejam valorizados e venham com disposição e criatividade. E o pessoal da matemática que se prepare para dar apoio e não deixar de se preocupar com a luzinha vermelha, que acende a qualquer hora, quando falta madeira. Por enquanto, o barulho na porta parece não assustar, pois continua uma falsa sensação de que sobra madeira e que Deus é brasileiro!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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