A SILVICULTURA NA DIREÇÃO DO EXTRATIVISMO!

Na cidade de São Paulo, dentre outros grandes centros, ainda se encontram, com facilidade, os pequenos fornecedores de madeira para padarias, pizzarias e pequenas indústrias. Não há dados confiáveis a respeito dos quantitativos, mas há sinais de que esse consumo é bastante expressivo!

Há alguns dias, num posto de estrada, tivemos oportunidade de prosear com um transportador de madeira, o Seu Benedito. Estava acompanhado do filho, que tinha ajudado no carregamento da madeira. Essa rotina da família, segundo eles, já vem de muitos anos!

E foi do Seu Benedito, mais falante, que ouvimos: “ antes, esse negócio era muito melhor! A gente trabalhava até com lenha extraída de mata nativa, que só custava para cortar e tirar do mato. Assim valia a pena! Hoje temos que comprar a madeira e pelo preço que entregamos, só dá para pagar a comida de cada dia!” E foi o mesmo Seu Benedito, quem falou: “ até tenho um pouco de floresta, mas se tiver que pagar para cortar e empilhar a madeira para depois transportar, o que ganho só cobre o frete, e quase mais nada! E se tiver que comprar a madeira não dá nem para o arroz e feijão de cada dia !” E, mais triste ainda, foi o complemento- “o que está salvando é que há muita gente vendendo floresta a preço de banana, e alguns até pagando para acabar com a floresta. Fica parecendo a época, em que pegávamos madeira da mata nativa, há mais de 30 anos atrás. Só assim conseguimos uns trocos a mais”!

Essa situação, que viabiliza o trabalho do Seu Benedito e garante o fornecimento de madeira para substituir óleo ou energia, aparentemente, tende a sofrer sérias dificuldades para se sustentar, além de comprometer a silvicultura como alternativa de renda para o pequeno e médio produtor rural.

Esses produtores, estão se livrando de suas florestas e não querem nem ouvir falar em formar floresta! Estão vendendo a madeira a preço de banana ou dando de graça para se livrar da floresta. E assim, transforma a silvicultura de pouca ou de muita tecnologia em autêntico extrativismo!

Essa é uma realidade que assusta e preocupa quem planta e quem trabalha com madeira, mas, acima de tudo, deveria preocupar, e muito, quem sempre vai depender de madeira.

Aos que duvidam, segue a receita: pare um caminhãozinho na estrada, carregado de madeira de metrinho e provoque uma prosa! Sem muito esforço, vai ouvir um punhado de histórias sobre as florestas do pequeno produtor, os apertos para vender a madeira e as oportunidades que estão surgindo para ganhar madeira em troca da limpeza das áreas florestais, dos que estão desistindo da silvicultura!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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