Há poucos dias, tivemos oportunidade de assistir a tese de doutorado do Eng. Florestal Marcelo Langer apresentando e defendendo o uso de indicadores para medir a sustentabilidade de empreendimentos florestais! Mesmo diante de uma banca bem rigorosa, com apertos de todo lado, ficou a impressão de uma brilhante defesa e de que, com os devidos acertos e sugestões dos especialistas da bancada, logo teremos indicadores com mais matemática para medir objetivamente a sustentabilidade de empreendimentos silviculturais.
Não que falte, no momento, mecanismos para avaliar a situação econômica, social e ambiental dos empreendimentos ou empresas florestais! A certificação florestal, entre os vários processos de avaliação, contribuiu e muito para que as variáveis econômicas, sociais e ambientais fossem agregadas de forma integrada aos procedimentos operacionais. E a silvicultura evoluiu muito!
Mas quando se fala em sustentabilidade e se misturam as avaliações existentes fica a impressão de que falta alguma coisa para mostrar com mais objetividade essa “tal de sustentabilidade”! Enquanto não existe medida, o discurso segue livre e solto, daqui e dali. E a sustentabilidade, sem régua e meio abstrata, reina! E não precisa ser nenhum especialista para perceber que existe algumas controvérsias nessas pregações otimistas!
Vamos aos berros e evidências flagrantes e incontestáveis -viveiros paralisando as produções por falta de interessados ou inviabilidade financeira pelas mudas a preço irrisório e insuficiente para pagar as contas; os diversos colaboradores diretos e indiretos que representam mais de 70% da mão-de-obra de toda a cadeia de serviços operacionais, tirando leite de pedra, fazendo mágica e buraco na conta bancária para sobreviver e respeitar contratos e compromissos; o produtor de madeira pequeno ou grande, alguns ligados a programas de fomento, num braço de ferro danado ou sem celular para não ouvir cobranças do gerente do banco! E a lista de “apertos e sufocos” é grande e tudo pelo sucesso da cadeia produtiva da silvicultura!
Só fechando olhos e ouvidos para não perceber o paradoxo dessa situação, com o discurso lá do final da linha – “o sucesso e contínuo crescimento se deve à sustentabilidade de nossa silvicultura ”! Aqui, vem muito a calhar – Prezado cara pálida, será?
A tempo e a hora – parabéns Dr. Marcelo Langer pelo brilhante e oportuno trabalho. Com certeza, teremos indicadores que permitirão medir, concretamente, os avanços da silvicultura brasileira na direção da sustentabilidade e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável do Brasil!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br