A MAGIA DE UM EMPURRÃO DO GOVERNO!

Quando se fala do papel do Governo e da necessidade de políticas públicas, muita gente ”faz biquinho” e surgem comentários irônicos: “ não meta o Governo nesse negócio para não atrapalhar ” – “ não precisamos do Governo, e quanto mais longe melhor” – e por aí vai… Essas” boas-vindas” à participação do Governo no dia-a-dia das atividades, já não causam nenhuma estranheza. E no setor florestal a coisa não é diferente!
 
Quando se observa a complexa estrutura institucional do setor florestal e a necessidade de políticas públicas para viabilizar as oportunidades, comumente, apresentadas por profissionais do setor, geralmente essa sensação aparece, apesar de algumas controvérsias! Para uns o governo é de fundamental importância – desse lado ficam os segmentos que precisam se organizar e necessitam de algum empurrão para que as oportunidades se viabilizem! As necessidades se evidenciam, mas os negócios não saem do lugar! Para outros, o governo não ajuda em nada! É dispensável e o melhor a fazer é não se meter no dia-a-dia. Desse lado ficam os independentes. Um chorinho daqui e dali, mas nada além de ajudas rotineiras – são os produtores de soja, de algodão, de milho e outras commodities. Com pernas próprias administram suas necessidades.
 
No setor florestal temos o segmento de florestas plantadas, como exemplo dessa situação de independência e vida própria. Para muitos, quanto mais distante do Governo, melhor! Uma ou outra encrenca e sem muita dificuldade o assunto é resolvido. Com inegáveis méritos, dosa, adequadamente, conhecimento, competência e organização! Mas é bom não esquecer que florestas plantadas, um exemplo de sucesso e de total independência, é fruto de política pública bancada pelo Governo, sob muitas críticas e graças à insistente visão e esforço de brilhantes profissionais e empreendedores, que, lá atrás, sentiram a falta de madeira para promover o desenvolvimento de segmentos industrias estratégicos para o país! Lá se vão mais de 50 anos, e como foi mágico o empurrão do Governo, através dos incentivos fiscais, naquela época! Realmente, o tempo passa e a memória encolhe.
 
Nos dias atuais, muita gente que nunca ouviu falar nada a respeito dos concorridos e cobiçados incentivos fiscais, dá de ombros e com o narizinho em pé, tasca: ”não meta o Governo nessas discussões que só vai atrapalhar!”.
 
O segmento de florestas plantadas era da mesma família e morava na mesma casa, juntamente com os outros segmentos do setor – a casa das florestas, o antigo IBDF – tudo no mesmo endereço! Foi só um empurrão do Governo, em um dos segmentos da casa, e deu no que deu! Cresceu, e se tornou independente. E com os impostos gerados já devolveu ao Governo, muitas vezes o que recebeu de incentivo. Agora, rico e admirado, não quer nem ouvir falar dessas histórias do passado!
 
Tudo bem, que não queira nem lembrar do passado, mas que poderia dar uma mãozinha para ajudar seus familiares, disso ninguém duvida. E, essa mãozinha, com certeza, seria muito bem-vinda! E o mais importante é que não faltam oportunidades, apontadas daqui e dali e que podem depender, muitas vezes, só de um empurrãozinho do Governo para pegar embalo!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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