A COVID, AS LIVES E AS INDEFINIÇÕES INSTITUCIONAIS

A covid mudou a nossa vida! Novos costumes, novas formas de trabalho e a comunicação nem se fala… Estamos no mundo das lives com novidades e muita gente nova em ação! E os mais diversos assuntos estão sendo abordados, discutidos e concluídos. Mas nem sempre sem deixar dúvidas e divergências estratégicas. E aquela integração de empresas, pesquisadores, problemas e soluções parece que, realmente, faz parte do passado. Acima de tudo, vale o “compliance”, quase sinônimo de uma mistura cordial de competição e de “amigos, amigos, mas negócios a parte”.
 
E quanta gente boa mostrando a cara e novas lideranças se destacando. Muito bom para o setor, que cresce e precisa de força e renovação! Mas nessa movimentação e novidades fica a intrigante sensação de que está faltando alguma coisa para definir com mais clareza o universo do setor! Ao colocarmos essa sensação, numa prosa entre amigos, depois de algumas conversas de um lado e de outro, parece que ficamos bem perto de uma explicação: não temos identidade institucional! Há inúmeras instituições cuidando de diversos aspectos e com vinculações diferentes! Um emaranhado institucional que dificulta, sobremaneira, a formulação de políticas públicas para o setor florestal.
 
Dessa maneira, vamos continuar dando “pique no lugar” pois não sabemos o rumo a tomar! Só alguns exemplos curiosos – o Serviço Florestal vinculado ao Ministério da Agricultura toma conta das concessões florestais, mas quem tem o poder de concessão é o Ministério do Meio Ambiente! – florestas plantadas para processos industriais está no Ministério da Agricultura, mas se o produtor estiver interessado em plantios de nativas para recuperação de suas reservas ou áreas degradadas, daí o assunto é lá no Ministério do Meio Ambiente. E os cruzamentos e “bolas nas costas” envolvem interessados nos mais diversos segmentos do setor florestal.
 
É uma discussão, que se arrasta há anos. Há de se somar o conhecimento das universidades, a disposição das lideranças empresariais, pesquisadores, gente do governo, consultores, produtores de todo o tamanho, ambientalistas, agentes de comunicação, enfim…. todas as diferentes cadeias de produção, de proteção, de comercialização, etc. e definir as bases estruturais e institucionais do setor! Essa integração e sinergismo, respeitando-se as características de cada segmento, irá agigantar o setor e mostrar quem somos, o que somos e como deveremos ser no futuro, tão presente!
 
Nenhum segmento vai perder ou sacrificar sua independência e o setor vai ser enriquecido. Mas essa discussão precisa ser feita e as decisões governamentais são imprescindíveis para que ,de fato, sejamos protagonistas no universo florestal internacional!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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