O PREÇO DA MADEIRA É O ADUBO DO PEQUENO PRODUTOR!

Em uma das boas lives promovidas pelo IPEF, ouvimos do Luiz Ramires Junior, que Preside a Câmara Setorial de Florestas Plantadas no Ministério da Agricultura uma boa dica – “ meu professor Manoel de Freitas sempre disse que o melhor adubo para o pequeno produtor é o preço da madeira”! Com certeza, não haverá nenhuma discordância, e viva o amigo Manoel de Freitas! Numa outra live do mesmo evento, tivemos oportunidade de participar e colocamos um complemento nessa prosa, dito por um produtor de madeira – “ o preço é o adubo para plantar floresta, mas o adubo para manutenção dessa floresta é a confiança em quem compra”. A soma dessas conversas mostra, de fato, a “vida como ela é “ do pequeno produtor! Um misto de esperança no preço e elevada dose de confiança no comprador – qualquer mudança é bomba no produtor!

Em quase uma dúzia de lives que tivemos oportunidade de assistir, o assunto do pequeno produtor foi mencionado e sempre com boa dose de preocupação!!! Aparentemente, há um reconhecimento geral a respeito da importância de se integrar a pequena propriedade ao processo de produção da silvicultura, mas há dificuldades a serem superadas. Há uma grande quantidade de pequenos produtores querendo participar desse processo produtivo. É importante que se criem mecanismos para abrigar essa massa de interessados.

Nas diversas discussões tem sido evidenciada a importância do produtor conhecer bem o envolvimento com a silvicultura- precisa saber o que plantar, usar sempre tecnologia e ter informações sobre o mercado a ser atendido. Daqui e dali, ouviu-se muito a respeito dos preços da madeira, com variações enormes, em função da qualidade da floresta, topografia, distância e acesso às propriedades – de 20 a 50 reais o metro cúbico de madeira em pé!!! Essas variações, sem as devidas explicações, assustam e dão margem a todo tipo de conversa. Misturam-se problemas diferentes. Há muitos pequenos produtores bem satisfeitos com o setor, e bem calados. Mas os insatisfeitos berram e berram alto! E assim, fica valendo o berro dos insatisfeitos, muitas vezes, com muita razão!

Enfim, o importante a se destacar é que, aparentemente, há necessidade de se fazer um esforço grande para se resgatar o interesse do pequeno produtor à silvicultura. Ele pode aumentar a oferta de madeira, economizar investimentos em terras e se transformar em importante parceiro na proteção do patrimônio florestal existente. Pesquisa com espécies de madeira de boa qualidade, cooperativismo e muita divulgação das experiências bem sucedidas em pequenas propriedades, também são mencionados como temas primordiais nessa tarefa de ajudar o pequeno produtor a se sentir confortável na atividade de silvicultura.

Os comentários mostram que esse é um grande desafio a ser equacionado para que a silvicultura consiga transformar os vizinhos de seu entorno, sejam pequenos, médios ou grandes, em verdadeiros parceiros e fortalecer ainda mais a silvicultura brasileira!

E o importante é que temos histórias de sucesso no passado, e bons exemplos no presente! Tudo para ser conhecido e seguido. Aparentemente, todos concordam que se conseguirmos juntar esses parceiros, com certeza, a silvicultura ficará mais enriquecida!

Cabe aqui, um registro para reflexão e respeitosos cumprimentos: nos anos 70/80, O DR. Antonio Sebastião Rensi Coelho, supria a Duratex , indústria de chapas localizada, na época, em Jundiaí-SP, praticamente só com madeira de fomentados. Perguntado sobre o tipo de contrato que lhe dava tanta garantia e segurança de abastecimento respondeu:

“ o contrato é bem simples, mas o que vale mesmo é o fio de bigode e o respeito com os produtores”.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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