O desenvolvimento do eucalipto no Brasil, sob todos os aspectos – do campo à celulose colocada do outro lado do mundo – é considerado espetacular, um sucesso! Um exemplo de negócio à base de tecnologia e tocado por incansável empreendedorismo. E o mais admirável: tudo de uma árvore exótica no meio de rica biodiversidade com centenas de espécies arbóreas valiosas! .
Nesse contexto, fica uma pergunta inevitável: E as nossas espécies nativas? será que não temos nenhuma espécie com chance de se destacar? Vamos a fatos interessantes para aguçarmos, ainda mais nossa curiosidade! .
1- O eucalipto, em suas várias espécies, foi introduzido no Brasil, por volta dos anos de 1900!!!! E só se consolidou como planta de grande valor comercial nos anos 60/70. Prestava-se como matéria-prima para uma indústria que precisava crescer e recebeu as bênçãos dos incentivos fiscais, “a cheiro de dinheiro”. Esse foi o toque mágico!
2- A produtividade inicial não passava de 15/20 metros cúbicos /ha/ano – muito semelhante à produtividade de inúmeras espécies nativas, nos dias atuais!
3- Em 50 anos, a produtividade do eucalipto passou a 40/45 metros cúbicos/ha/ano! Resultado dos trabalhos de dezenas de instituições de pesquisas, de centenas de pesquisadores, acompanhando milhares de experimentações em vários estados brasileiros e com recursos à disposição. Investe-se milhões de dólares, anualmente, em pesquisas e os benefícios gerados ultrapassam a bilhões de dólares. Uma silvicultura campeoníssima e invejável em nível mundial. Uma soma de excelências!
4- E as nossas espécies nativas? Há inúmeras iniciativas bem conduzidas e algumas espécies já batem as produtividades iniciais do eucalipto. Há pesquisadores dedicados e muito competentes, que apostam na possibilidade de se melhorar, consideravelmente, a produtividade de muitas de nossas espécies nativas. É só investir em mais pesquisas, mais pesquisadores e divulgação do que já temos. A situação é bem semelhante aos anos de 1900 com o eucalipto!
5- Nem pensar em encontrar uma espécie para competir com o eucalipto na produção de madeira para celulose, carvão, chapas e usos industriais mais tradicionais. Nesses casos, o eucalipto é imbatível! Vamos atrás de madeira de qualidade para usos especiais. Há quem aposte que vamos encontrar um universo gigante de oportunidades econômicas, sociais e ambientais.
6- Lá atrás, em 60/70, o incentivo fiscal foi criado pela necessidade de se ter floresta para produzir madeira para fabricação de bens de consumo – celulose, papel, chapas, carvão. Só com incentivo fiscal, “a cheiro de dinheiro”, as coisas aconteceram! Temos toda a experiência com o eucalipto para ser observada e repetida!
7- Nos dias atuais, além de madeira para usos especiais, a sociedade precisa dos serviços ambientais das florestas para proteger seus recursos hídricos, restaurar áreas degradadas, etc. E para isso as nossas espécies nativas também são imbatíveis! Não seria oportuno pensarmos em algum mecanismo, “a cheiro de dinheiro “, semelhante ao que promoveu o eucalipto?
8- Com todos os recursos tecnológicos disponíveis para se implantar qualquer tipo de controle, e com toda a experiência vivida, por que não usar o caminho já conhecido? Por que não pensar num mecanismo de incentivo fiscal que possa nos levar a esse novo universo de riquezas florestais?
9- Será que com as necessárias adequações na milagrosa Lei 5106/1966, já não teríamos uma boa base para negociações?
10-A tempo e a hora
– que não percamos a oportunidade de mostrarmos esse universo de oportunidades nesses momentos que antecedem as reformas tributárias, e quando precisamos de alternativas para geração de muitos empregos!
– sem “cheiro de dinheiro”, vamos continuar criando GTs para isso e para aquilo e vamos continuar dando pique no lugar!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
