“Vai faltar madeira para secagem de grãos” foi essa a reação de um grande produtor agrícola, quando viu a floresta de seu vizinho ser cortada e substituída por pastagem! A madeira da floresta plantada com custos para o produtor não conseguia competir com a lenha “de custo zero” vinda de desmatamentos. E estava sendo extinta! Um problema para os produtores de grãos, e um desafio para reflexão dos silvicultores!
Nas novas fronteiras agrícolas de estados como Mato Grosso, Tocantins, Bahia, entre outros, há muito tempo, a lenha “de custo zero” tem suprido a necessidade de madeira para os mais diversos fins no meio rural, principalmente, nos processos de secagem e moagem de grãos. E a custo, quase zero! No entanto, esse extrativismo está se extinguindo a ritmo e formas distintas nas regiões agrícolas. Nesse jogo incontrolável, prevalece a lógica da disputa de mercado, entre o preço da lenha vendida a custo do frete e refeição do caminhoneiro e o preço da madeira das florestas plantadas com todos os custos de plantio para serem pagos. Em muitas regiões essa disputa matou a silvicultura!
Há indicações seguras de que nessas regiões, a médio prazo, sem a lenha, que está desaparecendo, e sem florestas plantadas, deverá haver sérias dificuldades para suprimento de madeira para secagem de grãos e outros usos nas propriedades agrícolas.
Esse cenário, para muitos, irreversível, passa a ser uma grande oportunidade para consolidar a silvicultura, onde ela não perdeu o espaço e para que ela possa ressurgir, onde ela foi desvalorizada e massacrada pelo incontrolável oportunismo e desinformação do mercado.
Há de se cuidar, no entanto, da tecnologia florestal a ser adotada para que a silvicultura seja bem sucedida. É trabalho para “ gente do ramo”. Em muitas regiões, onde a lenha massacrou a madeira das florestas plantadas, há indicações confiáveis, de que uma das principais razões para o insucesso da silvicultura, tenha sido a baixa produtividade das florestas plantadas. O problema da falta de informações técnicas seguras, ainda não está resolvido, mas importantes avanços tecnológicos nessas regiões, apontam a silvicultura como a solução para o suprimento de madeira nas novas fronteiras agrícolas!
Esses encontros e desencontros de interesse mostram a importância das informações setoriais e a necessária integração das atividades agrícolas e silviculturais para sucesso dos grandes empreendimentos rurais.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
