PROSA DE BILHÕES PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES

Há algum tempo, numa conversa entre amigos do setor florestal, o foco virou o cruzamento da engenharia florestal e os caminhos da silvicultura. Na verdade, o interesse era entender as relações entre o manejo de florestas nativas, a silvicultura de madeira para processos industriais e as demais atividades de plantios de árvores voltadas à recuperação de áreas degradadas, regeneração de florestas de bacias hidrográficas, agroflorestal, cultivo de espécies nativas, enfim, a silvicultura mais voltada a serviços ambientais.

E, acima de tudo, como a silvicultura de madeira para celulose, chapas, carvão, e outros produtos industriais atingiu níveis de excelência, enquanto a silvicultura para outros fins ficou só nos discursos! A conversa morreu quando alguém, de forma bem simples, falou: “ é o cheiro do dinheiro ”! E completou: “faça a silvicultura de apelo ambiental cheirar dinheiro, e vai ver como as coisas mudam rapidamente”! Alguém deu um toque complementar, mas que não deu liga: “ o manejo tem até cheiro de dinheiro, mas as dificuldades espantam”!

E daí, a conversa girou em torno das razões que podem promover ou dificultar o desenvolvimento de uma atividade. Na saída, um mais sóbrio, resumiu a conversa: “a silvicultura de madeira industrial teve o empurrão, a cheiro de dinheiro, na época dos incentivos fiscais. Gerou emprego, grandes empreendimentos, desenvolveu tecnologia e com muita competência cresceu e se tornou independente. É só repetir o modelo”. E completou: “ lá atrás, a necessidade era madeira e bastou um empurrão de alguns bilhões e deu no que deu. Atualmente, com a necessidade inegável que temos de promover restaurações florestais de áreas degradadas, de proteger nossa bacias hidrográficas para manutenção de nossos recursos hídricos, de mitigarmos efeitos climáticos, etc., tenha certeza, de que só falta um empurrão, com cheiro de dinheiro, para que as coisas aconteçam”! Chegou a conta e a prosa acabou!

Essa conversa de bilhões, merece reflexão! Será que a grande engenharia não estará na forma de se dar um empurrão com cheiro de dinheiro nas atividades que apresentam forte apelo ambiental para que tenhamos mais alternativas para nossa silvicultura?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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