AS LIVES E AS LIÇÕES PARA OS SILVICULTORES!

Em tempos de pandemia e quarentena, as lives brilham! E quantas contribuições e, quanto aprendizado! Coisas novas, gente nova, conceitos novos, divergências, e sinais de estratégicas convergências. Pena que algumas questões, que se arrastam no dia-a-dia, continuam tangenciando as conversas. Enfim, uma certeza: o pós-covid vai trazer novidades, modificar hábitos e procedimentos! E a silvicultura não vai ser exceção! Cuidemos de nos preparar para as mudanças e desafios! Iniciemos desatando os nós conceituais que vão se formando diante da diversidade de tantas informações!
 
Fiquemos com algumas questões que nos parecem estratégicas a nossa silvicultura:
 
1- Disparadamente, prevalece o foco na silvicultura do metro cúbico das florestas de eucalipto e pinus. E muitos avanços tecnológicos para controles. Um mundo digital para controle de tudo! A produção parece resolvida, enquanto a produtividade decresce….. Isso é preocupante! Ainda bem, que a produtividade já está se tornando bandeira de importantes instituições de ensino e pesquisa!!!
 
2- A silvicultura que não cheira a dinheiro continua pobre!! Muitos elogios e muita gente interessada, mas pouca pesquisa e pouca informação! Recuperação de áreas degradadas, serviços ambientais, manejo das florestas, cultivo de espécies nativas, muito pouco ou quase nada! Essa seria uma excelente oportunidade para uma ampla discussão desses assuntos. Precisamos encontrar mais protagonistas dispostos à luta e mais comunicação!
 
3- A Ministra provocada reconheceu o potencial do setor florestal, além da celulose, mas agora, sob seu comando, o assunto florestal ainda carece da devida valorização. A mudança de ministério, ainda não provocou as adequações necessárias. O Serviço Florestal parece isolado e o esforço da Câmara de Florestas Plantadas ainda é uma ilha de boas intenções dentro do Ministério. E é uma pena o setor florestal, em toda sua abrangência
continuar esparramado em diferentes corredores de Brasília! A nossa riqueza florestal, cobiçada pelo mundo, precisa de mais atenção!
 
4- Nos estados, parece que o assunto está se valorizando e o movimento é diferente. Que bom! Que novas lideranças se mostrem dispostas a criar condições para o desenvolvimento da atividade!! Esse dinamismo nos estados é imprescindível para criar, recriar e manter a silvicultura como fator de desenvolvimento social e econômico em muitas regiões!
 
5- O pequeno e médio produtor continua meio perdido! Há muitas controvérsias! Localização, mercado, tecnologia, o que plantar, como agregar valor à produção, como usar a integração agroflorestal, enfim… ainda prevalece a desinformação! Há de se desenvolver mecanismos, e com urgência, para se evitar que esse pessoal se afaste da atividade! E o pior, apedrejando a silvicultura!
 
6- De gente do agronegócio algumas lições para reflexão: um reconhecimento oportuno – o agro precisa das florestas. É o agroambientalismo, coisa de brasileiro e que tende a se fortalecer, em nível internacional, integrando e valorizando as florestas e a biodiversidade no processo de produção de alimentos! Um outra lição: o agro diz que precisa do Governo para executar políticas públicas, através de leis, normas, etc. e quer a responsabilidade pela elaboração dessas políticas! Essa inversão de posição parece encomendada aos silvicultores, pois há tempos falamos de políticas públicas, mas diferentemente, ficamos esperando que o Governo tome a iniciativa pela elaboração. Parece que precisamos inverter essa posição!
 
Temos tido inúmeras lições! Fiquemos nessas, por enquanto! As lives vão continuar e, com certeza, passarão a fazer parte do nosso dia-a-dia. Vamos torcer para que se mantenha esse fluxo de informações, com novas idéias e com novos protagonistas em ação!
 
A Comunidade de Silvicultura cumprimenta a todos que estão se propondo a organizar e participar dessas lives. A silvicultura está se enriquecendo e com mais discussões aumentam as oportunidades de se encontrar os caminhos para valorizarmos, adequadamente, a silvicultura e todo o setor florestal brasileiro!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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