Com certeza, sem óbvias explicações, nesses dias de COVID-19,cabe preocupação com seus impactos nos serviços operacionais de campo das empresas! As informações possíveis mostram que os cuidados básicos de higienização estão sendo tomados e a rotina operacional segue firme e forte! No entanto, há de se cuidar disso com muita atenção!
A mão-de-obra do campo e que toca os trabalhos silviculturais corresponde a mais de 500.000 colaboradores. Esse pessoal em grande parte está vinculado às empresas terceirizadas – contratadas para fazer serviços silviculturais!
Há de se cuidar dessa enorme cadeia de serviços composta por milhares de empresas contratadas para plantar, cuidar das florestas, colher e transportar madeira, máquinas, insumos, pessoas, etc. Esse é o mundo do campo! São essas empresas que dão sustentação à produção industrial e continuidade à formação, manutenção e proteção das florestas! São essas empresas que empregam quem planta, quem colhe e quem transporta para dar sustentabilidade ao processo industrial. Os milhares de produtos indispensáveis à sociedade não se sustentam sem o serviço do campo!
Salvemos a indústria, mas cuidemos do campo e tomemos todos os cuidados com o elo mais fraco dessa corrente: a rotina operacional, compreendendo as pessoas e as empresas empregadoras. Essas empresas não tem entidade de classe para defender seus interesses e dependem diretamente de seus contratantes. Estima-se que mais de 80 % da mão –de-obra de campo esteja sob o comando de empresas contratadas para prestação de serviços de toda natureza! Qualquer movimentação reflete diretamente nessa estrutura, na sua receita, na sua estabilidade financeira. Há de se proteger essas empresas, que serão as primeiras a sentir as cobranças financeiras, trabalhistas e judiciais! Constituem a base de sustentação dos empregos! Quem vive a realidade de campo sabe a enorme dificuldade de se reconstruir essa cadeia produtiva, caso seja afetada!
Estaremos sacrificando além da produção industrial do presente, a viabilidade dos programas futuros e a própria sustentabilidade do patrimônio industrial que depende das florestas plantadas! Essas empresas ficarão sujeitas, exclusivamente, à sensibilidade, responsabilidade e respeito pela relação contratados e contratantes.
Fazem parte do elo mais fraco da corrente produtiva e que precisa ser devidamente preservado!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
