Nos dias atuais, uma das encrencas, que ainda continua sem solução, por inúmeras razões, é o “choro” de enorme quantidade de produtores rurais pelo valor de venda de suas florestas. Mas não é só insatisfação! Aqui se misturam diferentes ruídos, agravado pelo excesso de madeira em determinadas regiões: plantios de baixa qualidade, florestas mal conduzidas, acessos precários, localização inadequada, contratos mal feitos e até mesmo parte de florestas boas, em que faltou, de fato, o respeito contratual! Há, no entanto, produtores, bem localizados, com boas florestas e bem servidos de vizinhos consumidores, que não berram e não se queixam da silvicultura! Mas tem sido muito comum que tudo isso seja colocado numa na mesma sacola do fomento florestal!
E nessa sacola, as vezes “mal cheirosa”, há destaques que merecem distinção!! Não há dados confiáveis, mas com certeza, estamos falando de quase dois milhões de hectares, que não são de propriedade das empresas consumidoras – pertencem aos diversos tipos de produtores independentes. E aqui, também há de tudo! Florestas bem cuidadas e de alta produtividade, bem localizadas e de fácil acesso. Uma jóia! Florestas mal conduzidas, inacessíveis e de baixa produção. Um verdadeiro mico!
Desse montante de dois milhões, estima-se que cerca de 500.000 ha sejam, de fato, originados de programas de fomento, implementados por empresas consumidoras de madeira!!!! E há ótimas florestas, e também muita “porcaria” de empresas que fomentaram e não cumpriram seus compromissos.
Conclusão: Há de tudo! e o que se fala de fomento não dá para se generalizar para todo o setor! Há de se conhecer “caso a caso” para se falar com propriedade dos programas de fomento da silvicultura brasileira!
Nos casos de sucesso, o fomentado é parte estratégica do programa de suprimento e não se discute os valores devidamente acordados. A empresa conta com a madeira e o produtor sabe exatamente a receita que lhe cabe. Não há surpresas. É o mesmo fio de bigode do passado, que nos dias atuais foi substituído por sofisticados sistemas digitais, onde o respeito é ” palavra de ordem”! E o mais interessante é que essa forma profissional de se fazer fomento está se transformando em política importante e estratégica de suprimento de madeira para grandes empreendimentos. Essa postura empresarial, com certeza, dá ares de seriedade e profissionalismo à silvicultura brasileira! Todos ganham e os benefícios sociais e ambientais são flagrantemente notados!
Mas nada disso é novidade. Há exemplos maravilhosos no passado. É só conhecer a história da Duratex em Jundiaí –SP e o exemplar programa de fomento desenvolvido pelo Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho! Manteve a indústria por anos e anos só com fomentados, muito respeito e ética!
A grande encrenca, no entanto, é recuperar a credibilidade da silvicultura, onde houve problemas por inúmeras razões e “plantar árvore se tornou uma maldição”! Mas, mesmo nessas regiões, a silvicultura continua sendo quase uma necessidade para o bem estar da sociedade! São áreas desocupadas e que precisam ser protegidas com florestas. São áreas erodidas, com bacias hidrográficas de rios importantes e com uma infinidade de nascentes desprotegidas. Tudo isso precisa, urgentemente, de proteção florestal! Há de se encontrar mecanismos que permitam que esse trabalho avance em benefício da geração de mais empregos e na proteção desses “cantos” produtores de água!
Essa é a parte da silvicultura que não tem vida sustentável e que precisa do apoio governamental. Aqui, cabe tudo, principalmente, mais pesquisas e políticas públicas que estimulem e incentivem o plantio de árvores!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
