Nesses mais de 50 anos de silvicultura comercial, a pesquisa florestal brasileira, praticamente, esteve voltada aos interesses dos grandes consumidores de madeira – celulose, chapas e carvão vegetal. Para muitos, pesquisa florestal no Brasil é sinônimo de trabalhos com eucalipto e pinus! E as grandes instituições de pesquisas que se formaram junto às universidades, como IPEF, SIF, FUPEF, dentre outras, também se destacaram na mesma direção! De outras espécies, e especialmente das nativas, muito pouco, e graças ao esforço de brilhantes profissionais!
Tudo muito em função do grande apoio financeiro das empresas consumidoras de madeira! Foram milhões e milhões de dólares, centenas de pesquisadores do mais alto nível e permanente injeção financeira das empresas consumidoras! A produtividade de eucalipto e pinus mais que dobrou em 50 anos, e permitiu que se consumissem muitos milhões de metros cúbicos de madeira!!!
Mas esse mundo da pesquisa florestal, antes muito cooperativo, parece estar tomando feições mais competitivas. As fusões empresariais, e os avanços científicos com alta consanguinidade, vão se desenvolvendo e ficando “dentro da mesma casa”. E as soluções que agregam valores competitivos vão perdendo o compartilhamento. Essa nova postura, com certeza, deverá refletir nas estratégias das instituições de pesquisas. E, com certeza, muitas discussões e mudanças poderão surgir:
-As experimentações que necessitam da participação de várias empresas, até para validação dos resultados, com certeza serão mantidas. E há muita coisa precisando de um reforço!
– Na esteira da sustentabilidade, as pesquisas com novas espécies para nichos de mercado de pequenos e médios produtores, poderão merecer atenção especial. E, aqui, caberá destaque a algumas espécies nativas, que estão se mostrando altamente promissoras;
-a formação de unidades de pesquisas junto às grandes concentrações de florestas, também parece ser uma necessidade estratégica cada vez mais evidente, até para proteção do patrimônio florestal- industrial formado. É o caso por exemplo do Mato Grosso do Sul;
-pesquisas experimentais em novas fronteiras e para usos alternativos da madeira, parece merecer cuidados técnicos bem específicos. Isso vai crescer e vai exigir adequações nos padrões operacionais tradicionais;
– há de se destacar também o crescente interesse em programas agroflorestais, que ainda carecem de muitas informações técnicas;
Há muita gente competente para definir estratégias e integrar o que enriquece a pesquisa. Mas há pressa e as questões estão à porta! Quanto aos detalhes científicos, que agregam valor competitivo e os avanços da tecnologia digital, isso tudo, com certeza, vai se particularizando e se distanciando do conjunto.
O mais importante, é que o apoio que nunca faltou às instituições seja mantido e não faltem recursos aos programas que vão surgindo como alternativas à silvicultura brasileira!
