A silvicultura brasileira apresenta características curiosas! De tempos em tempos, fatos novos ocupam as manchetes e vão deixando de lado temas de importância estratégica! Agora é a hora do fogo! Mas há muito tempo não se tem nada de novo na pesquisa florestal brasileira! Para muitos a pesquisa perdeu a posição estratégica para os ousados supridores de madeira – é o resultado da oferta de madeira! Para outros, não há grandes dificuldades, além de “uma bela sacola de informações” nas empresas! Para uma atividade de longo prazo tais posturas podem representar tremenda negligência!
De fato, há muitas pesquisas e pesquisadores competentes nas empresas, mas será que alguém ousa afirmar que estamos com tudo resolvido? Vamos a algumas encrencas que , raramente, são apresentadas para discussões:
– continuamos a plantar poucas espécies de eucalipto e pinus e número restrito de clones, meio aparentados, que podem a qualquer momento serem acometidos por “um sarampo” inoportuno!!! Com certeza, muitos dirão que há exagero nessa afirmação, mas será que algum melhorista tem segurança absoluta em nossa base genética?
– por onde ficaram os esforços para se aumentar a base genética de nossos pinus tropicais tão promissores e de produtividades espetaculares?
– e as novas fronteiras, que, inevitavelmente, deverão entrar no processo produtivo! Será que vamos ter que aprender apanhando? Ou vamos expandir para novas áreas e continuar plantando os mesmos clones da “Família Silva”?
– e as nossas espécies nativas? Só para fotografias? De tempos em tempos uma notícia aqui, outra ali, e …. mais nada?
– e as novas espécies e o uso diversificado da madeira? Vamos continuar firmes, fortes e para sempre, só na celulose?
– e os riscos com pragas e doenças? Não seria estratégico que em áreas de grandes concentrações – tipo Mato Grosso do Sul – que já tivéssemos um amplo programa de pesquisas para segurança do rico patrimônio industrial existente?
– e a mecanização voltada só aos grandes empreendimentos?
A lista não é pequena e a discussão desse assunto vai se tornando imprescindível! De fato, parece que a significativa mudança dos tempos modernos é que a pesquisa rica e competente perdeu sua posição estratégica nas decisões empresariais. E isso, a médio e longo prazo, pode trazer sérios problemas à sustentabilidade da silvicultura.
Fica o registro, num momento oportuno de preparativos para encontro internacional, onde vai se falar muito de pesquisas e dos grandes avanços da silvicultura brasileira!
