O Sr. Oliveira, português “dos bravos”, é dono de uma propriedade florestal, na região de Bragança Paulista – SP. Ficou indignado ao ouvir repetidas vezes, numa palestra para produtores rurais, o expositor falar em silvicultura sustentável e as explicações que o termo exige – plantios florestais otimizando e integrando os aspectos técnicos,econômicos,sociais e ambientais.
Terminada a palestra e depois das educadas palmas, levantou o Sr. Oliveira e indagou:” Essa tal de silvicultura sustentável interessa a quem? De imediato, veio a resposta detalhada ;” a todos, a quem planta, a quem trabalha com floresta, aos que vivem no entorno das florestas, a quem consome a madeira”. De novo, o Sr. Oliveira indagou :” no meu caso, que planto com meus familiares,colho e transporto com meus familiares e cuido da venda da madeira, posso concluir que o único estranho no processo é o consumidor, que compra e que paga a madeira”. E continuou : “ faço tudo como o Sr.falou, tomo todos os cuidados com minhas nascentes e a produção é muito boa,mas há um problema!”.
E enfatizou de maneira categórica: “ faz quase dez anos que estamos sem conseguir pagar nossas contas e o valor da madeira continua cada vez menor. Estou abandonando tudo e nem cuido de mais nada”! e finalizou : “ Que “raio” de sustentabilidade é essa, que sustenta o consumidor e mais ninguém!”
A reunião continuou, mas não faltaram calorosas palmas ao Sr. Oliveira! Quando fomos cumprimentar o palestrante, amigo de longa data, meio cabisbaixo, falou : “ o problema é que tenho ouvido histórias parecidas em todo lugar que vou falar de floresta. Só falta tomar pedrada!” Fica para reflexão dos amigos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
