SEM GOVERNO AS PLANTADAS SEGUEM, MAS AS NATIVAS FICAM NA UTI!

 

Em recente postagem, quando indagávamos sobre o que seria do setor florestal – sem rumo e sem documento – recebemos alguns comentários que nos remetem, obrigatoriamente, à reflexão! – Há razão para se preocupar com o desinteresse do Governo com relação ao setor florestal?  Passemos, portanto, rapidamente, pelas atividades florestais, observando possíveis amarras que, eventualmente, dependam da postura governamental.  De forma bem simplificada, o setor florestal é composto por atividades ligadas   às florestas plantadas ou  ao manejo e proteção das florestas nativas. As principais cadeias de produção se sustentam à base de madeira de florestas plantadas – em esmagadora maioria provenientes dos plantios de eucalipto ou de pinus –  ou de madeira originada do manejo de florestas nativas. Mundos bem diferentes!  Vejamos quem precisa do Governo!

Será que quem planta floresta, tendo dinheiro e tecnologia, sabendo onde plantar, como plantar e conhecendo o mercado, consegue se manter sem ajuda e sem apoio  do Governo?   Como o Governo não se mexe, há anos, e os segmentos industriais à base de florestas plantadas, especialmente de eucalipto e pinus, continuam crescendo, tudo indica que, com Governo ou sem Governo, a vida!  Aliás, a simplificação dos complexos licenciamentos, seria muito bem-vinda. Mas é só!  E esses segmentos são os mais ativos e de maior impacto e importância econômica e social!  Poderão até existir pequenas dificuldades, mas nada que limite o crescimento e desenvolvimento dos negócios à base de florestas plantadas.

Pelo menos para os grandes consumidores que, na verdade, são os principais protagonistas e que puxam os segmentos industriais! São fortes e independentes, e  quando  há necessidade,  até fazem o papel do próprio Governo. Vão continuar crescendo por conta e risco! Sabem, com competência, usar as condições  que favorecem a competitividade da silvicultura brasileira!  Só falta mais empenho para integrar , de fato,  os produtores de florestas  à cadeia de produção.  Resolvendo isso, fica  fechado o ciclo.  Na verdade, um Governo ativo  poderia  otimizar e ampliar o leque de aproveitamento da base florestal, especialmente com a diversificação de espécies e mais  pesquisas  com nossas espécies nativas. A não  se mexer, não atrapalhando já fica de bom tamanho!

De outro lado temos o mundo  das florestas nativas e aqui a coisa é muito diferente! Os processos legais são complexos e afetam toda a cadeia de produção. Licenciamentos para tudo e intensa fiscalização.  Neste mundo não dá para o interessado arregaçar as mangas e seguir em frente. Aqui a mão do Governo  é de vital importância! É quase uma questão de vida ou morte! Na verdade, esse segmento ainda apresenta poucas oportunidades para iniciativas que não dependam do aval do Governo. Possui  grande potencial para crescimento,mas  na largada o apoio do Governo é  questão de sobrevivência! Quem sabe, lá na frente, se torne independente!  Tem papel importantíssimo na proteção, preservação e conservação de nossa riquíssima biodiversidade e um grande potencial para geração de benefícios econômicos sociais e ambientais. Tudo,  sempre dependeu muito mais da consciência e dedicação de abnegados profissionais do que por mecanismos e estratégias  de políticas governamentais!

Trocando em miúdos: o setor de florestas plantadas cresce, se desenvolve e se defende, sem precisar do Governo. Aliás, a torcida é para que o Governo não se envolva para evitar  complicações! Mas para o setor de florestas nativas tanto com respeito à produção, quanto á defesa e proteção dos valores ambientais e sociais, a participação do Governo é imprescindível. Se faltam recursos para tocar o setor florestal, que se aloquem os existentes, prioritariamente, às florestas nativas. O segmento de florestas plantadas continuará forte e quem sabe, até, institucionalmente, respeitado. Seguirá crescendo mesmo que o Governo fique parado! Mas o de florestas nativas vai parar na UTI!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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