Com certeza, o preço da madeira não vai subir, enquanto continuar sobrando madeira em algumas regiões! Aliás, já está acabando em regiões que permitem a mecanização da colheita e acesso aos gigantescos caminhões. Para esse tipo de condição não há limitação de distância!! Mas a luz amarela de muitos consumidores já está acesa, e ainda há sobra e muita sobra em regiões montanhosas. Aí, no entanto, vai continuar sobrando e a retirada só vai acontecer de “punhadinho”. É o resultado de erros que se somaram, num período de encantamento pelo “negócio de floresta”.
Há muita gente apostando numa falta de madeira, a curto prazo, pelos desdobramentos ocorridos com madeira a “preço de banana”: os grandes consumidores vivendo das sobras diminuíram seus plantios, e os demais pararam de plantar; o estoque de regiões tradicionais – Minas é o exemplo mais evidente – sofreu um “rapa” e não houve renovação; as alterações no regime pluviométrico dos últimos anos impactou significativamente grandes plantios – estima-se numa queda de produtividade perto de 10 %, em algumas regiões – as pragas estão se multiplicando com apetite feroz e muita gente fazendo de conta que não vê!!!!
O consumo de madeira para energia também cresceu, mas esse pessoal não planta! E o manejo das brotações tomou lugar das reformas, mas isso só dá certo em florestas de boa qualidade e exige investimento e cuidados técnicos! Caso contrário, é produtividade mais baixa, na certa! Juntando tudo isso, há quem aposte no surgimento de um buraco nos estoques de madeira e vai começar nova correria!
Esse filme é antigo, só que desta vez vai exigir mais criatividade e muita conta atrasada vai ser cobrada! Fica a preocupação: será que essa grande capacidade industrial, geradora de tantas riquezas e benefícios econômicos, sociais e ambientais, não corre risco de ser afetada? E o pior de tudo é que toda vez que esse pessoal toma alguma trombada, a encrenca fica para a silvicultura, que continua sustentável, nos discursos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
