A silvicultura brasileira se desenvolveu de forma rápida graças às pesquisas e à ampla divulgação dos resultados encontrados. Bons tempos, tudo sem nenhum segredo e pleno desprendimento das empresas e dos pesquisadores! Importantes questões eram apresentadas e resolvidas em acaloradas e concorridas reuniões. Novos tempos… as reuniões e as informações foram se escasseando e até as instituições de pesquisas – IPEF, SIF, FUPEF, dentre outras – foram tornando seus encontros menos frequentes e mais específicos. Novidades, daqui e dali, ficaram mais restritas!
Abriu- se assim, espaço aos eventos técnicos organizados por empresas especializadas com temas importantes e com apresentações de profissionais competentes escolhidos “ a dedo”! Tudo bem profissionalizado, mas nada por conta do “bispo”! Gente preparada falando e gente interessada pagando para ouvir e apreender.
E os auditórios lotados e satisfação plena dos participantes. Cabem respeitosos cumprimentos aos organizadores pela iniciativa, pelos temas escolhidos e brilhantes apresentações! Cabe, no entanto, uma preocupação! Aumenta a distância entre a elite de empresas e grandes produtores e a camada sem nenhuma assistência de pequenos e médios produtores. Esse contraste não favorece o crescimento da silvicultura e gera uma inevitável indagação: como ficam os pequenos e médios produtores rurais que querem acompanhar o desenvolvimento tecnológico do setor?
Não há nenhum serviço de extensão florestal no Brasil, portanto as inovações não chegam a esse público! As informações sobre mercado, novas espécies, avanços tecnológicos vão se tornando um privilégio para poucos! E a massa de produtores florestais vai se sentindo cada vez mais marginalizada! Fica o alerta para reflexão! Enquanto isso, vai se evidenciando a falta dos Congressos, e vai aumentando a saudade dos tempos em que as reuniões do IPEF, da SIF e outras entidades de pesquisas enchiam auditórios.
Enfim, as coisas mudaram…. Novíssimos tempos, discussões importantes e esclarecedoras com gente competente e dignas de nossos respeitosos cumprimentos!!! Só falta encontrarmos uma forma de levarmos essa bagagem de conhecimento aos pequenos e médios produtores para que, de fato, toda a silvicultura brasileira seja beneficiada e a informação não seja um privilégio para poucos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
