Numa viagem por algumas regiões produtoras de madeira, tivemos a curiosidade de conhecer o nível de satisfação dos produtores florestais. Numa enquete bem simples entre produtores dessas regiões, tivemos a curiosidade de saber qual seria a melhor notícia para o produtor de madeira! Mais de 90 % respondeu sem nenhuma hesitação: a maior satisfação é quando se ouve falar que vai faltar madeira! Até aqui, nenhuma novidade, considerando-se o longo período em que a madeira permaneceu a “preço de banana”.
A grande surpresa veio com a pergunta seguinte: melhorando o preço da madeira vocês continuarão plantando ou cuidando de suas florestas? E a resposta foi decepcionante! Mais de 50 % falou em desistir, abandonar as áreas plantadas e se possível investir na limpeza das áreas florestadas! É preocupante ouvir: “em silvicultura, nem pensar”! Esse pessimismo é o retrato de uma realidade nua e crua. E cheia de contrastes! Há mais de 50 anos atrás, o Brasil incentivava o reflorestamento e o país se tornou o maior produtor de celulose de eucalipto do mundo.
Muitas indústrias se formaram e milhares de produtores se envolveram nessa cadeia de produção. Fala-se em milhões de empregos na silvicultura e ainda comenta-se da necessidade de mais florestas plantadas em certas regiões! Um tremendo paradoxo!!! Já está faltando madeira em algumas regiões e continua sobrando em outras. Uma mistura de tudo: falta de planejamento, de orientação e de políticas públicas adequadas! E não faltam discursos falando e louvando a silvicultura sustentável! Essa novela não pode e não deve continuar dessa forma.
E esse é um grande desafio a ser enfrentado pelos que acreditam que a silvicultura seja uma atividade importante para geração de benefícios econômicos, sociais e ambientais! Esse bonde precisa ser colocado nos trilhos! E o Brasil tem ciência, competência profissional e empreendedores ousados. Será que vamos saber aproveitar as oportunidades existentes?
