Durante muitos anos a silvicultura brasileira esteve voltada exclusivamente à cultura de espécies exóticas – mais de 80% dos recursos disponíveis para plantios e pesquisas com eucalipto e pinus. Plantios com outras espécies nunca passaram de grande e duvidosa aventura! Algumas migalhas, graças à insistência de brilhantes profissionais, foram colocadas em pesquisas e pequenos plantios com outras espécies!!! E ainda: cerca de 80% das pesquisas florestais existentes tratam da produção de madeira para celulose, chapas ou carvão vegetal. Nenhuma novidade e nenhuma surpresa, uma vez que grande parte dos recursos usados sempre vieram dos produtores de celulose, chapas ou carvão. E há de se reconhecer o sucesso alcançado, e o inegável reconhecimento, em nível nacional e internacional dos trabalhos!
Mas é bom pensarmos em novos caminhos à nossa silvicultura. Ficou para trás uma enorme dívida com outras espécies, com outros usos da madeira e com as contribuições das próprias florestas – recuperação de áreas ambientais estratégicas e serviços ambientais,dentre outras.
Há de se dar atenção especial às nossas espécies nativas – há quem diga que temos dezenas de espécies com grande potencial para produção de madeira de alto valor comercial. Há de se manter vivo o compromisso de recuperação de nossas nascentes e bacias hidrográficas. E isso é dívida do Governo Federal, em nível internacional! Há de se assinalar também que, nos últimos anos, surgiram novas espécies exóticas, que estão se mostrando promissoras e o próprio eucalipto tem despertado interesse comercial para outras finalidades! Há de se valorizar o uso alternativo das florestas – energia, serviços ambientais, madeiras nobres e especiais!
Para muitos são esses novos ares que irão constituir o perfil de uma silvicultura mais independente e não submissa, exclusivamente, às amarras dos gigantes da exportação. Mas não nos iludamos com facilidades para tais superações. É imprescindível que essas possibilidades, que se vislumbram, se transformem em negócios com viabilidade econômica. Só assim serão atraídos novos interessados e poderão ser constituídas novas cadeias de produção.
Sem sonho e sem poesia, essa é a fagulha que incendeia! E esse desafio não pode ser delegado a terceiros. É de exclusiva responsabilidade e interesse dos silvicultores!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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