Foi assim que o Eng. Paulo, respondeu a uma pergunta da plateia. Tratava-se de uma reunião para discussões sobre os caminhos que levam à sustentabilidade de um empreendimento florestal! O Eng. Paulo acabava de considerar aspectos conflitantes na direção de tal objetivo. Discutia-se a abrangência da sustentabilidade: quem se envolve e a quem interessa, de fato, essa história? Ele acabava de mostrar que uma grande empresa cheia de relatórios e discursos de sustentabilidade dispensara um prestador de serviços, que empregava mais de 200 funcionários, pelo fato do terceiro se negar a dar um desconto de 10% no preço dos serviços prestados!
O Eng. Paulo enfatizava- “essa conversa de sustentabilidade é uma balela, e só interessa ao dono do negócio”! E seguindo – “o terceiro quase morre para atender às mais absurdas exigências e, quando não consegue mais fazer desconto, é dispensado e trocado por outro que, em pouco tempo, vai ter o mesmo fim”! E completou, indignado: “ isso é uma vergonha a todos profissionais que se dedicam, honestamente, aos trabalhos silviculturais e não tem nenhuma oportunidade para argumentação e defesa. Não vale nada a competência e o profissionalismo, só vale o menor custo”.
Na sua apresentação, ainda mencionou: “a conversa inicial é sempre muito boa com pessoas que não entendem nada de campo e ligadíssimas às planilhas de custo. Exigem máquinas e equipamentos novos, treinamentos, certificação, tudo do bom e do melhor. Mas nem se tocam com a viabilidade do terceiro. O grande prêmio é a redução de custo. E boa!” E foi no final dessa conversa pesada, que o assistente, menos avisado, fez a oportuna pergunta: “Com essas considerações, parece que o senhor não está muito satisfeito com a tal de sustentabilidade!”.
A resposta dada – “a sustentabilidade é uma balela”! – ficou parecendo a todos, que foi somente uma parte, do quanto o Eng. Paulo teria a dizer! Que interessante! Percebeu-se, nessa troca de farpas, importantes alertas para reflexão – É oportuno registrar que grande parte dos empregos gerados na silvicultura estão ligados aos serviços operacionais, que normalmente são realizados por terceiros contratados. É aqui que a coisa pega! É parte significativa do lado social que está em jogo, e que é tanto enaltecida!
Conhecer a realidade dessas relações, com certeza, vai promover ainda mais a silvicultura brasileira na direção da sustentabilidade – para todos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
