“A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA SILVICULTURA PODERIA SER MUITO MAIOR”!

Foi essa a resposta simples e direta que o empresário deu, quando perguntamos: “ e como melhorar a vida desse pessoal”? A história girou em torno da preocupação daquele punhado de colaboradores, que morava em cubículos na cidade, com esposa e toda a filharada, transitando de um lado para outro, com gatos, cachorros e algumas pessoas com “a cara cheia de cachaça”. Daí, perguntamos : “ se levar esse pessoal para morar na fazenda , em alojamentos bem organizados, com escolas e assistência médica para essa molecada, não seria melhor para todo mundo?” E então veio a surpresa: “ você não pode imaginar a quantidade de encrenca que podem surgir. Até a certificação florestal cria dificuldades e sem falar do tremendo passivo trabalhista, que vai se formando”, e arrematou;” vai aparecer gente dizendo que é trabalho escravo, e pode até dar cadeia…., então meu amigo, cumprimos, estritamente o que a legislação manda, e estamos conversados”.

Outro caso interessante que merece registro. O amigo perguntou: “quanto custa o seu funcionário lá na fazenda? Com um pouco de rodeios, sem saber, exatamente, o objetivo, o moço falou: “ eu pago próximo de 1250,00 ao mês, dou uma cesta básica, casa, água, luz, tudo sem nenhum custo” e completou: “é dinheiro livre, pois pago todos os encargos trabalhistas”. E virando-se ao seu amigo ao lado perguntou: “ e você, quanto paga para o seu pessoal nos diferentes estados em que atua”. E aí, a resposta precisou de uma calculadora para ser mais precisa: “ resumidamente, o trabalhador ganha praticamente a mesma coisa, um pouco mais de R$ 1200,00 por mês, mas me custa, em alguns locais, quase três vezes mais”. E concluiu: “ e não tem saída, ou arco com todas essas despesas, ou me arrebento nas causas trabalhistas”. E a conclusão veio toda recheada: “ não escapo da legislação trabalhista, e nem da certificação florestal. Sem burocracia e com certificação mais realista, a contribuição social poderia ser muito mais interessante para o próprio trabalhador”!

Registros para reflexão dos silvicultores! A legislação é complexa e o processo de certificação, que já trouxe enorme contribuição para o desenvolvimento da atividade de silvicultura, precisa rediscutir e aprimorar suas avaliações sobre temas tão importantes e estratégicos para a silvicultura brasileira, e acima de tudo, para benefício da mão-de-obra florestal!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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