Nos dias atuais, quando se fala dessa relação, ouve-se que “quem controla é o mercado, e não tem como lidar com isso”. Há até, quem garanta que “ isso é assunto da indústria e fim de papo – se o produtor quiser é assim, e se não quiser, é assim também”. Na verdade, quem paga a conta e, principalmente, quando a oferta é muito grande, não há o que se fazer. A indústria manda prender e manda soltar. Manda e desmanda!
Mas essa história já foi bem diferente! E para refrescar a memória, lembremo-nos das famosas reuniões da Associação Nacional dos Fabricantes de Celulose e Papel, nos anos 70/80 e do GT-7, que tratava de Reflorestamento – e que, periodicamente, era obrigado a apresentar relatório comprovando os preços crescentes da madeira: notas do produtor, contratos de compra, carimbos daqui e dali, tudo para justificar as solicitações do setor para aumentar o preço da celulose!
Havia falta de madeira e os valores crescentes tinham rebate automático no preço da celulose! Sem essa compensação, segundo a Associação, a indústria ficaria “ no vermelho” e inviabilizaria o setor! E tudo, formalmente, apresentado ao CIP ((Conselho Interministerial de Preços), ligado ao Ministério da Fazenda, que então liberava os aumentos no preço da celulose! Nesse tempo, e “ sem nenhuma frescura ”não havia muita prosa – ou se pagava o preço solicitado pelo produtor florestal, ou não se levava a madeira.
Como as coisas mudaram! O valor da madeira era, de fato, a referência para que fosse estabelecido o preço da celulose! E vem a pergunta: Como ficaria nos dias atuais, se a cada aumento de preço da celulose, houvesse alguma contrapartida para a madeira? E o pior: a quem reclamar se o produtor ficar “no vermelho”?
