É significativa a disponibilidade de florestas plantadas e sem utilização, no entorno de grandes consumidores. Há justificativas de toda ordem: técnicas, econômicas, sociais, além de muita conversa! Soma-se daqui e dali, e não bate o valor da madeira colocada na fábrica! Esse indicador é composto pelo valor da madeira em pé, mais custos de colheita, transporte e impostos. Os custos de colheita e transporte tiveram grandes reduções nos últimos tempos, em função da mecanização e alternativas operacionais.
A evolução tecnológica foi intensa e minuciosa, quase à exaustão. Tudo feito com competência e profissionalismo. Alterações nesses componentes é como tirar leite de pedra! Nos impostos, só as isenções de produtor rural. Ficaram a madeira em pé, e o dono da porteira para acertarem as contas! E sobram dificuldades e sempre muito elásticas: topografia, tamanho das áreas, acessos, etc. Nem aquela floresta de alta produtividade, e certificada, passa no crivo seletivo do processo operacional de colheita e transporte. Com todos os riscos, o atravessador vira milagreiro e tem sido a solução. Tira mais um naco do produtor, mas leva a madeira.
Dá-se preferência à madeira, mesmo que à grande distância, consequentemente, barata, e que viabiliza o uso de toda a parafernália de mecanização de baixo custo operacional. Afora outros detalhes adicionais, o resumo do resumo é que, de perto ou de longe, a madeira do pequeno produtor precisa ter preço baixo para fechar a conta do grande consumidor! E fala-se que 30 % da madeira dos grandes consumidores vem do pequeno produtor! E então, como mudar esse quadro? Cooperativas, tecnologias, máquinas e equipamentos para as condições do pequeno produtor? Parece ser o caminho, mas que vai precisar muito do grande consumidor! Talvez, uma grande necessidade estratégica possa provocar mudanças! Mas, a curto prazo, parece que a única saída seria encontrar um incentivo tributário, que atraísse o consumidor! E para isso a participação do grande consumidor é imprescindível!
Essa é a realidade nua e crua. De fato, a sustentabilidade da silvicultura, tem muito a ver com pequenos produtores, sempre à reboque do grande consumidor de madeira! Esse precisa ser provocado! E qualquer arranjo, que possa ser feito, com certeza, vai se transformar em significativa alavanca para todos os programas de fomento florestal. E todos ganham!!!
