A SILVICULTURA E A ELITIZAÇÃO DA PRODUTIVIDADE

As observações de campo já mostram diferenças significativas entre florestas, muitas vezes, separadas por uma simples cerca ou aceiro. E as diferenças são evidentes: formiga, competição com ervas daninhas, falhas, falta de adubação e os sinais das indisfarçáveis erosões! E em muitos casos, até as placas de beira de estrada já indicam as diferenças. Uma grande empresa e um pequeno produtor! Num chute bem conservador: uma floresta deve passar 40 metros cúbicos /ha/ano e a outra não chega a 25! Até aí, nenhum milagre! Com certeza, a falta e o descuido são reflexos da falta de se investir em tecnologia e mais insumos. A expressão desanimadora de um produtor, que se colocava ao lado da cerca, explica todo o drama: “eu sei que precisa fazer tudo isso, mas não tenho como fazer!”. E aí, parece que falta dinheiro e orientação técnica!

Afora essa realidade de campo, as diferenças começam a se estender às práticas de viveiro e até às preocupações de consultores especializados. No viveiro pode se notar a separação de clones especiais e o cuidado distinto com mudas de A ou de B. Nas ações dos consultores percebe-se, claramente, que a aplicação desse ou daquele conceito vai exigir mais ou menos investimentos adicionais. Na verdade, não há nenhuma novidade em tudo isso. Na silvicultura, no entanto, já tivemos programas de fomento florestal, onde dar tratamento exemplar ao produtor fomentado era “quase uma questão de honra da empresa”. E dessa forma, a evolução tecnológica não era separada por nenhuma cerca e as produtividades eram bem parecidas! E é lógico que a madeira era vendida por valores que permitiam gastar mais com adubo, formiga e mato-competição. Até as informações dos consultores, lá na frente, se transformavam em práticas repassadas aos fomentados! Enfim… todos ganhavam.

Com as modernidades introduzidas na silvicultura vamos torcer para que a evolução tecnológica não se restrinja a uma elite de grandes empresas e fique distante do pequeno produtor! Aí, estaremos sacrificando uma atividade que envolve milhares e milhares de famílias e a sustentabilidade da silvicultura vai ser uma realidade, só para discursos!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Esta entrada foi publicada em Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.