No final do ano, numa corrida pelas florestas da região de Bragança Paulista, encontrei numa pequena propriedade, cerca de 10 alqueires, uma floresta de produtividade espetacular! Bati na porteira e tive a grata satisfação de conhecer o Sr. Arnaldo. Depois dos rápidos cumprimentos fui direto ao assunto: “ Que beleza de floresta, quantos anos tem?” Com calma e satisfação foi contando: “essa floresta tem cerca de 18 anos, e já consegui tirar dela um carro, uma casa e a festa de casamento de duas filhas!” e foi completando : “tomei bastante cuidado para formar a floresta com adubação, muda boa e sem mato. Depois fui tirando as árvores meio tortas e mais finas, e só ficaram essas 3.000 árvores, que cuido como se fossem da família!” e continuou a prosa : “cada vez que tirava um pouco de madeira ganhava um bom dinheiro”.
E deu mais uma explicação: “ estou esperando chegar tudo com mais de 50 cm no peito para vender para serraria e comprar mais algumas coisinhas”! A conversa estava tão interessante e contagiante, que foi terminar, lá na cozinha, com café e bolo. E , juntos, fazendo as contas daqui e dali, chegamos à conclusão de que a produtividade da floresta, por ocasião da primeira intervenção, ultrapassava 50 metros cúbicos /ha/ano. E a curiosidade me levou a perguntar: “ quem ensinou o senhor a plantar a floresta tão bem assim? E a resposta foi muito interessante: “ participei de um Programa de Fomento Florestal promovido pela CATI, de Bragança Paulista, recebi mudas e toda a orientação técnica para se fazer a floresta.
Mas na época do corte, como o preço não estava tão interessante, resolvi deixar as árvores melhores, e só tirei o que não tinha crescido bem. Foi sugestão do moço que me orientou e deu as mudas. Foi uma ideia maravilhosa! ”. A visita e a conversa do Sr. Arnaldo deram chance para se registrar essa interessante lição de vida profissional! Esse Programa de Fomento Florestal, em conjunto com a CATI, VCP – Votorantim Celulose e Papel e Teca Florestal, foi desenvolvido na Região Bragantina, nos anos 90. Atendeu a centenas de produtores rurais e contou com o apoio da integração, muito bem sucedida, entre a CATI/Votorantim e Teca Florestal.
Essa soma de esforços foi um sucesso, na época, e contribuiu de forma significativa para o aumento da produtividade das florestas na região. Um legado de muitos ensinamentos técnicos! Há de se destacar a excelente contribuição do Eng. Agrônomo Alcides Ribeiro, na ocasião, o Coordenador Técnico da CATI, e que instituiu o programa de fomento florestal, como política de desenvolvimento rural na região.
