POLÍTICA PÚBLICA! QUE BICHO É ESSE?

Há dias atrás, numa reunião com técnicos e produtores florestais, causou-nos curiosidade a colocação apresentada por um amigo muito atento a tudo que se falava: “já assisti a algumas apresentações e já ouvi várias vezes se falar que esse ou aquele problema é decorrência de política pública! Que bicho é esse? Quando existe atrapalha, e quando não existe todos reclamam que falta!”

A colocação trouxe um silêncio geral! A sensação é que se colocou uma interrogação para todos pensarem. O assunto da reunião tratava do crescimento da silvicultura, numa determinada região, a evolução da produtividade, a qualidade das florestas e o contraste com o mercado comprador. A queixa que mais provocou discussão foi a do Sr. Agenor, antigo e grande produtor de madeira, que disse: “ vivemos a vida toda do plantio e venda de madeira, mas agora que tenho florestas com o dobro de produtividade não consigo vender pelo preço que vendia, há mais de 10 anos atrás!

Foi aí, que entrou a pergunta do moço. O coordenador da reunião falou; “essa situação reflete a falta de políticas públicas para o setor” e foi além: “não existe nenhum programa e nenhuma legislação que incentive a integração do consumidor com o produtor vizinho” e fechou “vão buscar madeira a quase 500 km com caminhões gigantescos, incomodando o tráfego nas estradas, gastam uma” nota preta” em transporte, mas se negam a pagar um pouco mais na madeira que fica na cozinha da fábrica”! E o questionamento seguiu ; “até aí tudo entendido, e a tal de política pública, onde entra?”. Então veio a explicação professoral e de forma bem simplista: “é um conjunto de regras, geralmente de Governos, que estabelecem as diretrizes e os instrumentos para se atingir determinado objetivo”.

E completou “quando essas regras são elaboradas com discussões e sugestões são bem aceitas, ficam bem conhecidas e servem como orientação aos interessados naquele assunto. E até servem para empresas estabelecerem suas normas para usar incentivos e atender às políticas públicas estabelecidas”. E deu um exemplo espetacular, que deixou tudo muito claro: “ se houvesse uma política pública, ou regras, incentivando as empresas consumidoras a comprar madeira nas vizinhanças, com certeza, as terras inaproveitáveis, do entorno dos grandes consumidores, se transformariam em florestas. Seria o jogo do ganha-ganha, todos se beneficiando”.

E concluiu: “ devem existir mecanismos que podem aproximar, integrar e favorecer o produtor e o consumidor! Mas essas opções precisam ser discutidas e detalhadas com os interessados para ter legitimidade e alcançar bons resultados. Mas sem discussão, sem provocação e sem interesse bem definido, com certeza, nada vai mudar! A reunião teve continuidade e na saída o engenheiro comentou : “ é o fim da picada não se fazer nada e nem se discutir, abertamente, essa situação tão prejudicial aos produtores e à própria sustentabilidade da silvicultura brasileira!”

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Esta entrada foi publicada em Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.