Essa é uma história que merece registro. O “assunto floresta plantada” passou a conhecimento público com a criação dos incentivos fiscais, em 1966, com a Lei 5106. E todos os assuntos de florestas plantadas eram tratados no Departamento de Reflorestamento do IBDF, também criado em 1966 para cuidar do tema florestal, bem mais amplo que florestas plantadas e ligado ao Ministério da Agricultura. As florestas plantadas ficaram ali, durante todo o período em que vigorou o incentivo fiscal. Era o centro de tudo. Discussões, reuniões, sugestões, reclamações, enfim…. o Departamento de Reflorestamento , centraliza os assuntos relacionados às plantadas . E nos demais departamentos tratavam-se das questões de parques, conservação, comercialização de produtos florestais, economia, entre outras coisas. Era a “casa das florestas”, com endereço bem definido.
Em 1989, o IBDF, com tudo que lhe pertencia – reflorestamento e todos os demais assuntos florestais – a pesca da SUDEPE e a borracha da SUDHEVEA, juntaram- se à SEMA, em evidência na época, e formaram o IBAMA. Em 1992, foi criado o Ministério do Meio Ambiente, ao qual ficou ligado o IBAMA. Nesse trajeto, de 1966- IBDF a 1992- Ministério do Meio Ambiente o setor florestal perdeu suas raízes e foi se desestruturando e se desmanchando! E os assuntos ligados às florestas se dividiram em partes diferentes e foram ancorando-se em pontos diferentes. E as florestas plantadas foram parar num canto da Secretaria de Florestas e Biodiversidades do Ministério do Meio Ambiente. Em 2000, foi criado o Programa Nacional de Florestas Plantadas para tratar do assunto. À margem do foco principal do Ministério do Meio Ambiente, e sem o apoio das empresas, não se desenvolveu como se previa, mas conseguiu, em 2006, dar grande contribuição para se criar o Serviço Florestal Brasileiro. Infelizmente e sob pressão de representantes do setor, não contemplou os cuidados com florestas plantadas.
Nessa época havia uma forte pressão de entidades do setor para levar o assunto “florestas plantadas” para o Ministério da Agricultura, onde se encontra representado, atualmente, por uma Câmara Setorial, composta por profissionais competentes e com muita disposição para colaboração – mas não passa de simples assessoramento e sem nenhum poder de decisão, dentro do Ministério da Agricultura! É fácil perceber que com todas essas alterações o setor ficou fragilizado e sem nenhuma” caneta que decide”.
Há informações e até documentos muito bem elaborados, mas falta o poder de decisão para criação de políticas públicas para o setor! Esse resgate é um grande desafio, que só vai acontecer com o esforço e união do setor florestal brasileiro, que é muito maior que a silvicultura de florestas plantadas dos plantadores de eucalipto e pinus!
