Os tempos vão passando e não surge nada de concreto para cuidar das políticas públicas da silvicultura brasileira. O setor é composto por mundos de tamanho diferente e com problemas bem distintos – o mundo dos grandes consumidores, auto suficiente, com vida e defesa própria; um segundo mundo, com algumas dezenas de grandes produtores, agarrados ou querendo-se agarrar aos consumidores gigantes para não ficar sem rumo, e no final da fila, o mundão de milhares e milhares de pequenos e médios produtores sem saber o que fazer,para quem reclamar e sem ninguém para defendê-los. Mas o discurso da sustentabilidade da silvicultura comercial continua firme forte.
Os compromissos internacionais para restaurar, proteger e mitigar problemas climáticos continuam desafiadores! Mesmo assim, temos sinais de otimistas, acreditando na madeira como biomassa energética. De outro lado, como alento, somos campeões da produtividade e competitividade de florestas plantadas, temos a mais rica biodiversidade do planeta, com milhares de espécies arbóreas – a serem estudadas- e muita pesquisa com eucalipto e pinus. Quase tudo gerado e nas mãos dos grandes consumidores, além de milhares de profissionais competentes. E num país com extraordinárias condições naturais para produção florestal para um mercado internacional crescente e ávido por produtos florestais.
É fácil perceber que ,com tantas coisas favoráveis, devem existir dificuldades, que precisam ser identificadas e superadas! A lista não é pequena, mas o mais grave é saber que não existe nada, em nível de Governo Federal para tomar conhecimento dessa lista! Conhecer a lista e traçar caminhos para superação é fazer políticas públicas. Será que alguém acredita que todas essas oportunidades, riquezas e problemas vão se alinhar, um dia, sem políticas públicas? Com certeza, a silvicultura não vai precisar de “ nenhuma esmola do Governo” para se desenvolver,mas a ajuda do Governo na sua organização e integração às diretrizes de desenvolvimento do país é imprescindível. Esse papel organizador e implementador, através de políticas públicas, é do Governo, quer gostemos ou não gostemos!
É muito interessante que estejamos, bem próximos, para acompanhar e sugerir, mas a caneta precisa estar na mão do Governo. Sem diretrizes definidas, só cresce, de forma independente, a minoria, que já é independente! Mas a silvicultura nunca vai dar a sua real contribuição ao desenvolvimento do país, enquanto estiver a reboque de uma minoria capacitada de gigantes consumidores, auto suficiente, com vida e defesa própria!
