CADA SILVICULTURA COM SUA PRODUTIVIDADE POSSÍVEL!

 

Em reuniões de produtores rurais é muito comum ouvir-se comentários a respeito do que é melhor produzir aqui ou acolá. E ninguém se atreve a plantar algodão em terra de abacaxi, e nem abacaxi em terra de tomate. Culturas diferentes exigem técnicas específicas, competência profissional  diversificada. E no Brasil de dimensões continentais é fácil perceber a enorme variedade de culturas e exigências específicas!

Essa lógica, no entanto, parece ser desconhecida por investidores florestais, principalmente os que se metem a entender de silvicultura.  Ainda bem, que silvicultor, de verdade, sabe bem disso! O investidor metido passa mão numa planilha, taca 45 metros cúbicos/ ha/ano e vamos que vamos. Faz um enorme programa,  junta recursos de amigos, mais incautos ainda, e pau na mula. Terras baratas e pobres em nutrientes,  condições climáticas, quase limitantes. Nada disso é considerado impeditivo.

O ousado, além de tudo, é extremamente otimista: “É só plantar que vai dar 45!  É uma exigência da planilha, e não se discute! E quando não dá, é incompetência do profissional, que  deixou de fazer isso ou aquilo. E é comum se ouvir: “essa turma de engenheiros sempre arruma uma explicação”. Dos bate-bocas a respeito da impossibilidade de se mudar a biologia e a matemática, o empreendedor não lembra e nem tem registro: “É coisa de engenheiro! ”.

E são essas histórias, que atrapalham o desenvolvimento da silvicultura, desestimulam empreendedores e comprometem profissionais. Isso precisa mudar. Aliás, nem sei se muda, mas é bom, que se saiba que é assim, que muitos empreendimentos fracassam. Não se faz milagres! Ninguém compra terras de primeira qualidade, a preço de “vaca magra”, e faz florestas de eucalipto com produção de 45 metros cúbicos/ha/ano. Mas se não houver nenhuma limitação técnica, com certeza, poderá haver chance de se conseguir florestas com 30/35 metros cúbicos/ha/ano. Pode- se até comentar: “é uma floresta magra ”.

Mas com certeza, desde que haja mercado garantido, o negócio dará resultados satisfatórios! É só aceitar a realidade, não acreditar em milagreiros e respeitar a tecnologia e a competência profissional!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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